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A barulheira que antecede o 1º de abril

Bolsonaro volta de Miami aproveitando o aniversário do Golpe Militar, mas Lula vai apresentar a reforma fiscal antes

O cenário político brasileiro segue pleno de ânimos. A lentidão do governo Lula em se apresentar confiável aos agentes econômicos e o retorno de Bolsonaro de Miami apimentam a polarização. Neste cenário, detalhes e anúncios ganham impactos significativos, animando o final de semana.

O primeiro ponto é que Lula está de “molho” por causa de uma pneumonia até hoje, quarta-feira (29), e sua viagem para a China deve ser reagendada para depois de 11 de abril. Lá, ele pretenderia desfazer os embaraços criados por seu antecessor e fechar acordos comerciais para melhorar a balança comercial brasileira. De acordo com alguns analistas, ao evitar aparecer em público nos últimos dias, o presidente pode diminuir os efeitos da munição que Bolsonaro teria para mascarar suas próprias fraquezas – visto o escândalo das joias, para falar só do mais recente.

Lula vai aproveitar a oportunidade para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anuncie o novo arcabouço fiscal ao Senado na manhã de quinta-feira (30), dominando o noticiário justo a partir do momento que o Bolsonaro estaria retido na alfândega. Além de retirar o protagonismo do ex-presidente da mídia, o presidente fortaleceria sua imagem de chefe de estado capaz de lidar com as intrincadas questões econômicas do país – mas só se o projeto agradar. Haddad jura que fez tudo certo dentro do possível e que os juros devem baixar em um futuro não muito distante, aliviando a inflação.

O governo também manobrou para que a chegada de Bolsonaro não vire um palanque autoritário desde o salão de desembarque. A título de proteção, o ministro da Justiça, Flavio Dino – que a direita tóxica tenta vincular ao crime organizado com uma campanha de fake news -, disse que a Polícia Federal (PF) escoltará Bolsonaro para garantir sua segurança. Bolsonaro teria reagido com palavrões ao saber que sua claque ficará de fora. Só terá acesso ao Aeroporto JK quem apresentar bilhete de viagem. As medidas da PF seriam “inegociáveis”.

Mas nem tudo estaria perdido. O dia seguinte será sexta-feira, 31 de março, aniversário de 58 anos do Golpe Militar de 1964, movimento que inaugurou uma ditadura de 21 anos. Ou seja, Bolsonaro escolheu o melhor dia possível para voltar. E só não marcou para a própria sexta para não correr riscos, já que sábado é 1º de abril, o dia da mentira – e qualquer pronunciamento seu poderia ser estraçalhado em redes sociais. Há possibilidade de alguma tentativa de apropriação histórica que já fez água. Se Lula estivesse na China, Bolsonaro poderia lembrar que no dia do Golpe de 64 o então presidente João Goulart também estava por lá. Só que Brasil não é mais o aquele país, a Guerra Fria acabou, Mao Tsé-Tung não é Xi Jinping e hoje a China é o maior parceiro comercial do Brasil.

Alguém deve ter assoprado para Lula sobre essa coincidência, um risco que o governo não vai permitir depois dos ataques de 8 de janeiro, Mesmo se não obtiver sucesso imediato, Bolsonaro precisa voltar ao jogo político para tirar um atraso que o diminuiu em poucos meses. O conservadorismo brasileiro já dispõe de dois quadros mais racionais nos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Diante desses novos protagonistas, o ex-presidente precisa voltar a alimentar o antipetismo que sempre o fortaleceu.

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