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A 3ª via ficou para 2026

Falta de carisma, excesso de vaidade, alta rejeição, inexperiência ou inexpressão. Fora Lula e Bolsonaro, os demais candidatos se perderam

É preciso um mínimo de objetividade para admitir o que era praticamente impensável logo após outubro de 2018. A partir de 2023, o presidente do Brasil será Lula (PT) ou Bolsonaro (PL) e o desejo de um terceiro nome, mais centrista e sem maiores complicações e escândalos, ficará mesmo para depois, desgostando uma certa classe média e o empresariado em geral, que clama por estabilidade e investimentos. E não adianta reclamar. Aos otimistas e persistentes, 2026 está logo ali.

Há quem diga que faltou articulação política para todos. Discordo. Desde o início, Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Ricardo Leite (também PSDB), Sergio Moro (União Brasil e antes, Podemos) e até Simone Tebet (MDB) abriram mão de qualquer possibilidade de conciliação em nome de seus objetivos diretos e indiretos. O caso do PSDB é o mais gritante. Vencedor das prévias, Doria é rejeitado pela cúpula de seu partido, que preferia o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ou até deixar de apresentar um candidato – o que seria um erro, já que desde Mario Covas, em 1989, os tucanos sempre disputaram ao Executivo. Pelas pesquisas, Doria seria o único pré-candidato que perderia para Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Em tese com mais chances, Ciro Gomes empacou nas pesquisas diante da presença de Lula – ele seria capaz de atrair o eleitor de centro e centro-esquerda. Ciro ganharia em quase todos os cenários sem o petista, até contra Bolsonaro. Mas seu discurso não é de conciliação. Aliás, Ciro nunca foi assim. Por também preferir o embate aberto, fechou portas para si.

Há uma certo egocentrismo e outro bom tanto de urgência no desejo de tanta gente se apresentar como solução presidencial tanto de modo outsider e quanto institucional frente Lula e Bolsonaro. Afinal, se o ex-capitão conseguiu, qualquer outro pode tentar. Só que, na prática, nada disso funciona para o eleitorado. Afinal, todos os citados são políticos bem fincados no establishment. A lição de Bolsonaro como anticandidato não deve se repetir nos mesmos termos tão cedo. E é aí que mora o perigo para a terceira via, que na útima pesquisa espontânea soma míseros 9% das intenções – e 15% na estimulada.

Sem tribo

Não há nenhum mal em políticos jovens, como Eduardo Leite ou Simone Tebet, esperarem mais um pouco. Eles teriam tempo de sobra para dar envergadura aos seus nomes. O mesmo não parece valer para Doria, que se desgastou em excesso ao impor sua candidatura. Com grande rejeição, hoje ele teria que fazer mágica para ser além de um vice viável. Moro então está ainda mais desgastado. Sua candidatura desidratou a ponto dele trocar de partido, deixando parte da conta para o Podemos pagar, em um episódio lamentável. Ele usou da verba do partido para viajar para São Paulo a fim de se filiar ao União Brasil, pela qual deve tentar o Senado. Há pouco tempo ele discutia com Doria sobre quem deveria ser o cabeça de uma chapa com ambos.

Nessa conta, quem ganhou algum espaço foi Luciano Bittar (PSL), que aposta em ajudar sua sigla a manter algum poder, após perder Bolsonaro ao PL. Mas Bittar não tumultua a terceira via como os demais. Nesse ambiente polarizado e repleto de caciques sem tribo, para ele é melhor lutar para garantir alguma bancada do que jogar todas as forças e recursos em uma candidatura inviável ao Executivo, o que só dificultaria as composições futuras. Nessa conta, a única que não perde é Simone Tebet, que ganhou prestígio nacional por sua atuação na CPI da Pandemia e, depois das eleições, seguirá senadora por mais quatro anos, com tempo de sobra para preparar seu futuro, provavelmente como senadora ou, novamente, como governadora.

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