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O que os grandes empreendedores do país têm em comum?

Aluizio Falcão Filho
7 de outubro de 2022

Três dias atrás, estava vendo um filme chamado “Como Subir na Vida sem Fazer Força”. O personagem principal segue as regras de um livro de autoajuda e seu primeiro passo é: “procure uma empresa enorme para trabalhar, daquelas que ninguém sabe exatamente o que o colega de trabalho faz”. Pensei comigo mesmo: esse enredo é exatamente o oposto das histórias que vou escutar no evento “Grandes Líderes”, no qual vamos reunir seis empreendedores de indiscutível sucesso (que realizamos ontem).

Bem, dois dias atrás, revi um documentário sobre a banda Beach Boys, que conta com detalhes a história de seu líder, Brian Wilson. Como a maioria dos grandes compositores, Wilson tem um lado sombrio, dominado pela angústia e pelo pessimismo. Novamente, pensei com meus botões: nada a ver com as histórias que escutarei na quinta-feira.

Mas, como dizem na matemática, dois sinais negativos fazem um positivo. Cheguei à conclusão de que o otimismo dos empreendedores é que impulsiona pequenas empresas a se transformar em grandes corporações. Mais que isso: a energia criadora dos otimistas pode não necessariamente ser dirigida às artes ou à música – mas acaba por ser canalizada na formação de empresas.

É o caso de seis personagens que ouvimos: Antônio Pipponzi, da Raia, Drogasil; Chieko Aoki, da rede Blue Tree de hotéis; Daniel Mendez, da Sapore; Gilson Schilis, da Fulwood; Ricardo Roldão, da Roldão; Sandro Rodrigues, da HInode.

O que essas pessoas têm em comum, além do sucesso? Consegui mapear três características em especial, além do fato de todos terem uma inteligência bastante acima da média.

+ ORIGEM FAMILIAR MODESTA – cinco entre seis dos nossos personagens nasceram em famílias com poucas posses. A maioria tinha pais imigrantes. Não tiveram uma infância ou uma adolescência com recursos – e alguns deles tiveram de trabalhar muito cedo.

Sem dúvida alguma, essa origem deve ter sido uma mola eficaz na busca de uma vida melhor através do empreendedorismo e na busca por novas oportunidades. No caso de Roldão, por exemplo, era ainda era adolescente quando pensou que poderia trocar o pequeno comércio pela atividade de distribuição de alimentos: “eu pensei que, em vez de 30 quilos de muçarela, poderia vender 300 e ganhar dez vezes mais; ou negociar 1000 e lucrar muito mais”.

+ ORGULHO DAS RAÍZES – Todos falam de seus pais com admiração e ressaltam o quanto aprenderam com eles. “Minha mãe era uma japonesa muito exigente e me ensinou a importância e o rigor dos detalhes”, diz Chieko Aoki. Sandro Rodrigues vai pela mesma trilha: “Minha mãe era costureira e meu pai torneiro-mecânico”, lembra. “Os dois estudaram até a quarta-série, mas tinham muito o que ensinar”.

A centelha empreendedora ou a capacidade de resistir às intempéries da livre iniciativa também podem ser qualidades aprendidas por observação. Neste caso, o menino Sandro teve a sorte de estar ao lado da mãe quando ela treinava sua equipe de vendas. Hoje, o treinamento de vendas é um dos pontos altos da Hinode, que congrega 700 000 revendedores.

+ RESILIÊNCIA, RESILIÊNCIA, RESILIÊNCIA – Todos esses empreendedores passaram por bons perrengues e alguns deles viram de perto a possibilidade de quebra. Somente com muita persistência é que essas dificuldades ficaram para trás.

Todos, em um determinado momento, se misturaram com suas empresas, de uma forma que não se sabia onde terminava a pessoa física e quando terminava a pessoa jurídica. Esse tipo de entrega, fundamental para erguer um novo negócio, requer esforço e dedicação que nem todos estão dispostos a entregar. Mas, depois de um tempo, todos os empreendedores ouvidos ontem por MONEY REPORT perceberam que havia chegado a hora de delegar a suas equipes a gestão de seus empreendimentos. Alguns contrataram profissionais no mercado; outros capacitaram familiares.

Essas seis figuras, mais do que vencedoras, conseguiram não ser vergadas pela concorrência e pelos aperreios de uma vida de testagens constantes. São exemplos para quem sonha em sair de um cotidiano de dificuldades financeiras – e para quem deseja deixar um legado para sua família ou para a sociedade. Merecem nossa admiração pela capacidade de se reinventar e de não aceitar uma derrota pretensamente imposta pelo destino. Pipponzi, Chieko, Mendez, Schillis, Rodrigues e Roldão mostram que os limites de nossos sonhos são inexistentes quando resistimos aos socos que recebemos ao longo de nossa trajetória. E que, mesmo nos momentos mais sofridos, a mente empreendedora prefere pensar com otimismo em saídas para os problemas, sem jamais deixar se abater.

A esses grandes líderes, homens e mulheres, MONEY REPORT presta a sua homenagem.

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