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O que o próximo ciclo das fintechs deve trazer em concorrência no Brasil

Da redação
13 de julho de 2026
Setor cresceu de forma consistente, evoluiu em estrutura, ampliou a base de clientes e já não compete apenas pela melhor taxa

As fintechs de crédito digital alcançaram em 2025 um volume de R$ 53,8 bilhões em crédito concedido, crescimento de 51% em relação ao ano anterior, segundo pesquisa da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD). O avanço ocorreu mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, com alto custo de captação, e foi sustentado principalmente por operações já existentes, que responderam por 82% da expansão. A base de clientes também cresceu de forma significativa: mais de 94,9 milhões de pessoas físicas e 72 mil empresas foram atendidas, com destaque para o Nordeste, que já soma 20,7 milhões de clientes.

“O setor se provou. Cresceu de forma consistente, evoluiu em estrutura, ampliou a base de clientes e mostrou resiliência. Hoje as fintechs já não competem por taxa. Competem por serviço, atendimento, relevância para o cliente. O próximo ciclo vai exigir mais. No segmento de pessoa jurídica, a reforma tributária e o split payment vão eliminar o colchão fiscal que integra, hoje, o capital de giro das empresas, e isso vai criar uma demanda estrutural por crédito que as fintechs têm condições de atender”, explica Willer Marcondes, sócio para serviços financeiros da Strategy&, consultoria estratégica da PwC.

Entre os motores de crescimento, o crédito consignado se consolidou como protagonista. Em 2019, o crédito sem garantia representava 60% das ofertas; em 2025, caiu para 14%. Já o consignado para trabalhadores do setor privado passou a ser oferecido por 47% das fintechs, contra 40% no ano anterior. O saldo em carteiras de consignação saltou de R$ 1,7 bilhão em 2023 para R$ 15,8 bilhões em 2025. A modalidade ganhou força com novas garantias, como o FGTS, e deve seguir em expansão em 2026.

A regulação mais exigente também moldou o setor. O aumento do capital mínimo e as regras para Banking as a Service elevaram as barreiras de entrada, favorecendo fintechs mais estruturadas. No crédito rotativo, as taxas praticadas pelas fintechs seguem abaixo das dos bancos tradicionais, reforçando a competitividade. Para Daniel Gomes, presidente da ABCD, o setor atingiu um novo patamar de maturidade, com benefícios concretos para a população e perspectivas de crescimento sólido nos próximos anos.

A inovação tecnológica é outro vetor central. A inteligência artificial deixou de ser promessa e se tornou prioridade: 62% das fintechs já desenvolvem soluções de IA e 96% pretendem expandi-las até 2027, o maior índice de intenção registrado na série histórica da pesquisa. A cibersegurança aparece como segunda prioridade, com 23% das empresas planejando novos investimentos, impulsionados tanto por riscos operacionais quanto por exigências regulatórias.

O próximo ciclo de competição entre fintechs, portanto, deve ser marcado por maior sofisticação tecnológica, adaptação regulatória e capacidade de atender novas demandas estruturais de crédito, especialmente no segmento empresarial.

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