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O que faz Lemann se sentir um “dinossauro apavorado”

Da redação
12 de maio de 2018

Em uma conferência realizada há alguns dias nos Estados Unidos, Jorge Paulo Lemann, principal líder empresarial do Brasil e controlador de empresas como AB Inbev, Kraft Heinz e Burger King, fez uma declaração surpreendente. Lemann disse que se sente como um “dinossauro apavorado” diante das inovações disruptivas que estão transformando o mundo dos negócios. Afinal, que mudanças são essas que afligem um mito corporativo como Lemann? Em artigo publicado na revista Exame, Silvio Genesini, ex-presidente da Oracle do Brasil e sócio-diretor da Accenture, apontou os novos desafios impostos às grandes – e tradicionais – corporações. Confira.

Modelo de negócios tradicional

O modelo de negócios das empresas da 3G, fundo de Lemann, baseava-se na obtenção de dinheiro barato, que era usado para comprar marcas tradicionais de produtos de consumo, que deveriam durar indefinidamente, com uma demanda sempre crescente. A esse receituário eram adicionados corte de custos e melhoria de eficiência – e assim estava pronta a fórmula vencedora.

Primeira mudança 

O custo do dinheiro aumentou e os retornos diminuíram. Com a melhoria da situação econômica dos Estados Unidos e Europa, as taxas, que ficaram por muito tempo perto de zero, começaram a aumentar. Não há mais dinheiro barato.

Segunda mudança

A onda do saudável e do orgânico cresceu e espalhou-se. As pessoas estão preferindo comer alimentos frescos, feitos em casa ou sob encomenda, do que comida industrial processada, como as fabricadas pela Kraft Heinz, ou o fast food do Burger King. Em bebidas, a situação é similar. Os refrigerantes têm sofrido rejeição. No caso da cerveja, as artesanais fazem o papel do saudável e do novo, usando menos produtos químicos. A internet espalhou essa onda e juntou militantes da causa.

Terceira mudança

O corte de custos radical e a meritocracia agressiva começaram a ser questionados. O mundo passou a esperar do capitalismo métodos mais humanizados. Um dos argumentos usados pela Unilever para rejeitar a oferta de compra feita pela Kraft Heinz, no início de 2017, teria sido a cultura agressiva do comprador.

Conclusão

O que está tirando o chão de Lemann são mudanças advindas de novos consumidores, que têm outros hábitos, vontades e certezas. É um público volúvel, permanentemente insatisfeito e que quer novos produtos todos os dias. Estas pessoas são, ao mesmo tempo, clientes, empregados, executivos e parceiros das corporações.

O que fazer

É preciso estabelecer uma cultura empresarial flexível, inclusiva e sensível aos desejos e necessidades dos novos e inconstantes consumidores.

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