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O que faz Lemann se sentir um “dinossauro apavorado”

Em uma conferência realizada há alguns dias nos Estados Unidos, Jorge Paulo Lemann, principal líder empresarial do Brasil e controlador de empresas como AB Inbev, Kraft Heinz e Burger King, fez uma declaração surpreendente. Lemann disse que se sente como um “dinossauro apavorado” diante das inovações disruptivas que estão transformando o mundo dos negócios. Afinal, que mudanças são essas que afligem um mito corporativo como Lemann? Em artigo publicado na revista Exame, Silvio Genesini, ex-presidente da Oracle do Brasil e sócio-diretor da Accenture, apontou os novos desafios impostos às grandes – e tradicionais – corporações. Confira.

Modelo de negócios tradicional

O modelo de negócios das empresas da 3G, fundo de Lemann, baseava-se na obtenção de dinheiro barato, que era usado para comprar marcas tradicionais de produtos de consumo, que deveriam durar indefinidamente, com uma demanda sempre crescente. A esse receituário eram adicionados corte de custos e melhoria de eficiência – e assim estava pronta a fórmula vencedora.

Primeira mudança 

O custo do dinheiro aumentou e os retornos diminuíram. Com a melhoria da situação econômica dos Estados Unidos e Europa, as taxas, que ficaram por muito tempo perto de zero, começaram a aumentar. Não há mais dinheiro barato.

Segunda mudança

A onda do saudável e do orgânico cresceu e espalhou-se. As pessoas estão preferindo comer alimentos frescos, feitos em casa ou sob encomenda, do que comida industrial processada, como as fabricadas pela Kraft Heinz, ou o fast food do Burger King. Em bebidas, a situação é similar. Os refrigerantes têm sofrido rejeição. No caso da cerveja, as artesanais fazem o papel do saudável e do novo, usando menos produtos químicos. A internet espalhou essa onda e juntou militantes da causa.

Terceira mudança

O corte de custos radical e a meritocracia agressiva começaram a ser questionados. O mundo passou a esperar do capitalismo métodos mais humanizados. Um dos argumentos usados pela Unilever para rejeitar a oferta de compra feita pela Kraft Heinz, no início de 2017, teria sido a cultura agressiva do comprador.

Conclusão

O que está tirando o chão de Lemann são mudanças advindas de novos consumidores, que têm outros hábitos, vontades e certezas. É um público volúvel, permanentemente insatisfeito e que quer novos produtos todos os dias. Estas pessoas são, ao mesmo tempo, clientes, empregados, executivos e parceiros das corporações.

O que fazer

É preciso estabelecer uma cultura empresarial flexível, inclusiva e sensível aos desejos e necessidades dos novos e inconstantes consumidores.

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