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O que é a síndrome do impostor, uma queixa entre as executivas

Uma pesquisa mostra que 77% das mulheres em cargos executivos demonstram decepção com a carreira e sofrem com o que se convencionou chamar de síndrome do impostor – quando alguém, por maior sucesso que tenha alcançado, sente que só fez os demais acreditarem em uma capacidade ou inteligência que não possuiria. É um mal-estar da vida corporativa que atinge ambos os sexos, gerando queixas frequentes de ansiedade e temores de exposição das fraquezas.

As mulheres conseguem expressar o problema de modo mais franco que os homens. Entre as pesquisadas pela consultoria KPMG, 57% afirmaram que os primeiros sintomas apareceram quando se tornaram líderes ou ascenderam ao nível executivo. A partir daí, outros sentimentos surgiram: 56% afirmaram temer que em algum momento desconfiassem de suas competências e 47% sofreram por terem alcançado um nível de hierárquico pouco esperado.

Especialistas afirmam que tais inseguranças são comuns quando se inicia uma nova jornada profissional, mas quando se tornam constantes, é necessário buscar auxílio psicológico. “A ascensão gera uma sensação mais intensa da síndrome e o questionamento é: ‘Como eu cheguei aqui?’, afirmou o psicólogo especialista em terapia cognitiva comportamental, Fernando Elias José. Para ele, é fundamental perceber se a sensação de farsa paralisa a capacidade de tomar decisões, o que pode causar estragos profissionais. Quando isso ocorre, todos pensamentos recorrentes sobre fraude pessoal acabam por se materializar.

A síndrome de impostor não é algo novo. Em 1978, as psicólogas e pesquisadoras americanas Pauline Clance e Suzenne Imes definiram em um artigo um conjunto de sensações persistentes que abalam profissionais bem-sucedidos, como o não merecimento do reconhecimento alcançado e a angústia de ser desmascarado a qualquer momento. Para Elias José, hoje as mulheres são as mais afetadas, pois ascenderam profissionalmente há pouco tempo, a partir das décadas de 1970 e 1980. E quando começaram a chegar lá, se depararam com a toxidade de ambientes profundamente masculinos, machistas, competitivos e excludentes. Não sem razão, as inseguranças desencadeadas naquela épocas ainda persistem sobre as profissionais das gerações seguintes.

Terapia e autoconhecimento

Para 74% das participantes da pesquisa da KPMG, os líderes masculinos não sofrem da mesma forma, mesmo tendo o mesmo tipo de dúvidas. Entre eles, o temor não reside em ser competente ou não. O que pega é não ser reconhecido pelos pares e subordinados como alguém merecedor – algo que dentro do espírito competitivo masculino, acaba sendo diluído, pois chegar lá pode ser mais importante que a jornada. Para boa parte dos homens, o sucesso está em chegar lá. Se manter no topo é outro passo. Já as mulheres tendem a ver todo o processo de escalada como uma coisa só.

Elias José afirmou que o tratamento mediante terapias de reconhecimento e autoavaliação são uma saída junto com práticas esportivas, que servem como mecanismo de enfrentamento de desafios. Professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bruno Netto dos Reys trata de tranquilizar quem sofre. A síndrome do impostor é um conjunto de sensações, mas não corresponde a um transtorno mental e, por isso, uso de medicamentos não é recomendado. Bastaria acompanhamento psicológico. “Isso tem a ver com a baixa autoestima”, diz Reys.

Desconstruir as armadilhas da síndrome é um desafio mental para as executivas e futuras líderes. Exige reconhecer que as falhas fazem parte do cotidiano e que as conquistas são parte do crescimento profissional de forma natural e sem neuras.

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