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O complexo papel do CEO em empresas familiares

Lucas Andrade
1 de maio de 2026
Governança, confiança e relações de poder definem autonomia e permanência

A liderança em empresas familiares no Brasil vai muito além da gestão tradicional. Estudos da Fundação Dom Cabral e da Grant Thornton Brasil mostram que o papel do CEO nesse tipo de organização é marcado por desafios únicos, onde governança, confiança e relações de poder definem sua autonomia e permanência. Mais do que executar estratégias, o executivo precisa navegar entre interesses da família, da propriedade e do negócio, equilibrando racionalidade e emoção.

A autonomia, vista como essencial ao cargo, não é dada de imediato, mas construída ao longo do tempo. Estruturas de governança mais maduras, com conselhos independentes e papéis bem definidos, ampliam a liberdade de atuação. Já em ambientes menos institucionalizados, o CEO precisa negociar constantemente seu espaço de decisão. Nesse cenário, a confiança da família controladora surge como fator decisivo: quando presente, reduz interferências e fortalece a liderança; quando ausente, limita a atuação e gera reatividade.

Outro ponto crítico é a cultura organizacional, muitas vezes subestimada por executivos externos. Decisões carregam não apenas indicadores financeiros, mas também valores históricos e emocionais, o que torna inevitável lidar com conflitos. O conselho de administração, quando estruturado, ganha protagonismo ao mediar expectativas familiares e demandas do negócio, trazendo objetividade.

“A longevidade das empresas familiares está diretamente ligada à qualidade da liderança, da governança e das decisões tomadas ao longo do tempo”, afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil. “No Brasil, essas organizações têm papel central na economia e enfrentam desafios específicos quando o tema é liderança e sucessão”, acrescenta.

“O CEO precisa ter distanciamento emocional para não embarcar nas disfuncionalidades da empresa familiar”, destaca Elismar Álvares, professora da Fundação Dom Cabral e curadora do Family Business. “O conselho independente é um mediador essencial e um ativo valiosíssimo para o CEO”, completa.

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