Fabricante brasileira corta 68% dos produtos em aço e madeira e aposta em um portfólio mais estratégico para conquistar consumidores e ganhar eficiência no varejo
Em um mercado em que oferecer mais opções costuma ser visto como vantagem competitiva, a Bertolini Móveis decidiu seguir o caminho contrário: reduzir o catálogo para fortalecer seus negócios. Com mais de 55 anos de atuação, a fabricante brasileira reformulou seu portfólio em 2026, diminuindo de 577 para 185 o número de produtos em aço e madeira, uma redução de aproximadamente 68%.
A estratégia busca simplificar a escolha dos consumidores, facilitar o trabalho dos lojistas e concentrar esforços em produtos com propostas mais claras. No segmento de aço, a oferta caiu de 311 para 142 itens. Já na linha de madeira, passou de 266 para apenas 43 opções.
“Não estamos oferecendo menos ao mercado, muito pelo contrário. Trata-se de uma estratégia de valor, disponibilizando itens de forma mais eficiente, com propostas claras para cada público-alvo”, explica Carlos Esteves, diretor comercial da Bertolini Móveis.
A mudança também acompanha transformações nos hábitos de consumo, com maior atenção à funcionalidade, à versatilidade e ao aproveitamento dos espaços. Entre as apostas da companhia está a Linha Multi, que combina aço e madeira em 12 módulos adaptáveis a diferentes ambientes, como cozinhas, quartos, escritórios e lavanderias.
Ao mesmo tempo, a fabricante modernizou coleções tradicionais, como Bella, Estilo, Múltipla e Evidence, incorporando referências vintage e soluções contemporâneas. O objetivo é atender diferentes perfis de consumidores sem multiplicar excessivamente as opções disponíveis.
Segundo Gustavo Bertolini, diretor criativo da empresa, a reformulação busca conciliar praticidade, durabilidade e estética, respeitando o orçamento das famílias.
Com sede administrativa em Bento Gonçalves (RS) e fábrica em Colatina (ES), a Bertolini comercializa seus produtos em mais de 5 mil pontos de venda no Brasil e está presente em mais de 25 países.
A iniciativa mostra como a redução de portfólio pode funcionar como estratégia empresarial: em vez de disputar espaço com uma variedade cada vez maior de produtos, a fabricante aposta em uma oferta mais enxuta, organizada e alinhada às necessidades do mercado para ampliar sua competitividade.
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