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França pagará € 9,7 bilhões para estatizar EDF

Da redação
19 de julho de 2022
Oferta de aquisição será lançada no início de setembro na Bolsa de Paris. Estado francês pretende comprar ações com prémio superior a 50%

€ 9,7 bilhões. É este o preço fixado pelo Estado francês para nacionalizar a companhia de eletricidade nacional, a EDF, segundo o anúncio feito esta terça-feira (19) pelo Ministério da Economia francês.

A oferta de compra dos 15,9% de ações dispersos na Bolsa de Paris será lançada no início de setembro, segundo a France Info. Por cada ação serão pagos € 12, prêmio de 53% face ao preço de 5 de julho, véspera do dia do anúncio dos planos do Estado para controlar a totalidade do capital da EDF. Há ainda uma oferta de € 15,64 por cada obrigação convertível.

Depois do anúncio da oferta, as ações da EDF voltaram a negociar nos mercados franceses, após terem sido suspendas em 13 de julho. No regresso à negociação, os títulos dispararam 15%, para € 11,74 por ação.

No entanto, a oferta de aquisição de ações depende da aprovação, no Parlamento francês, de uma alteração ao Orçamento do Estado. Atualmente, o partido do Governo francês não conta com maioria absoluta, pelo que depende dos votos dos partidos França Insubmissa (de Jean-Luc Mélenchon) e da União Nacional (de Marine Le Pen).

Por conta da subida dos preços da energia, alguns governos europeus têm lançado mão sobre as suas companhias de eletricidade. Na Alemanha, o governo prepara um decreto-lei que permite a compra de ações em empresas prejudicadas pelo aumento do preço dos gás.

Motivo da estatização

A opção de nacionalizar totalmente a EDF foi sinalizada pelo presidente Emmanuel Macron no início deste ano. Segundo a primeira-ministra, Élisabeth Borne, a ideia é garantir a soberania francesa durante a guerra na Ucrânia e dos desafios que se aproximam. Essa é uma das maiores empresas de serviços públicos da Europa. Além disso, o funcionamento da EDF é central para a estratégia de energia nuclear da França —é a aposta do país para suavizar o impacto do aumento dos preços de geração e a perspectiva de uma interrupção do fornecimento de gás russo.

O problema é que as novas usinas nucleares atrasaram, e os custos aumentaram. A EDF enfrentou diversos problemas neste ano. Metade dos reatores na França estão desconectados do sistema, em parte por causa de problemas técnicos ligados à corrosão. A geração de energia nuclear teve que ser cortada diversas vezes.

A empresa também foi afetada por decisões que a obrigaram a vender energia às rivais a um preço com desconto (o governo tenta evitar uma alta da inflação). O problema é que a EDF precisou recomprar energia, e os preços estão altos.

A empresa diz que as perdas de produção reduzirão seu lucro em € 18,5 bilhões (R$ 102 bilhões). Sua dívida deve aumentar em 40% neste ano.

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