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Exame: startup de saúde mental, Vitalk recebe aporte de 24 milhões da Vox

Companhia lançada em 2020 já atende mais de 220 mil vidas, com cerca de 60 clientes corporativos


Em 2011, Michael Kapps experimentou na pele o que é esticar os limites da exigência quando estava perto de concluir o curso de economia na universidade de Harvard e trabalhava no mercado financeiro. Precisou parar tudo: passou um mês trabalhando em uma fazenda no Pantanal brasileiro e se apaixonou “pelo mato” e pelo país. “Eu nem falava português”, conta ele. A vivência no tema ajuda a entender o empenho e a dedicação na criação da Vitalk, uma health tech voltada à saúde mental que acaba de receber um aporte de R$ 24 milhões em uma rodada série A liderada pela gestora de investimentos de impacto Vox Capital. Também participaram da capitalização Goodwater Capital, Valor Capital, mais o family office da família Moll, dona da Rede D’Or, e a Greenrock, que já tinham aplicado na startup antes.

 Viki: o avatar que cuida das crises de ansiedade e já recebeu 250 mil acessos (Vitalk/Divulgação)

Lançada em janeiro de 2020, a empresa encontrou um mercado B2B farto para estreia, com empresas que aprenderam a valorizar como nunca a saúde mental de seus funcionários. Kapps trabalhou no desenvolvimento de uma assistente virtual inusitada. Baseada em inteligência artificial e com treinamentos feitos por psicólogos, a empresa criou a Viki (daí o nome Vitalk, Vi fala), que presta suporte, por meio de conteúdos de voz e escritos, para pessoas em situações de estresse, burnout e até para problemas de relacionamento no trabalho e no home office.

A ideia de usar tecnologia para esse atendimento veio do objetivo de reduzir o custo e democratizar o acesso a ferramentas e suporte para saúde mental, explica Kapps. Antes, ele tinha uma empresa de chatbox para o setor de saúde chamada TNH, quando em 2019 começou a tatear o segmento de saúde mental, que é sua “grande paixão”.

Então, já com a pandemia instalada, estava desenvolvendo soluções para teleatendimento pela TNH quando se deu conta que as pessoas “conversavam” com o aplicativo e falavam de suas emoções. “Fui pesquisar e percebi que nos Estados Unidos existem unicórnios que atuam nesse mercado e soluções que inclusive são prescritas por médicos, com serviços reembolsados por convênios.” Veio, então, a certeza do tamanho da oportunidade e a revolução no negócio, com o desenvolvimento da Vitalk, que já recebeu R$ 6 milhões em capital semente. Agora, essa próxima rodada vem para aprimorar a plataforma e dar conta da forte expansão.

Estigmatizada, a questão da saúde mental de funcionários tem sido um desafio para empresas. Não por acaso, a Vitalk, que chega como uma solução para as áreas de recursos humanos (RH) das companhias, já tem mais de 220 mil vidas atendidas e grandes clientes como Vale, Johnson & Johnson, Grupo Soma e Grupo GSK, entre outros — são mais de 60. A base de empresas clientes corporativos deu um salto de 10 vezes neste ano, de janeiro a novembro, e a receita cresce a uma média de 30% ao mês. Kapps, contudo, não revela valores.

Desde o lançamento, o aplicativo que os colaboradores das companhias passam a ter acesso quando o serviço é contratado acumula mais de 250 mil downloads. Mas essa não é a única solução. Como é voltado ao RH, a Vitalk também faz o mapeamento de saúde mental (que levanta índices de burnout, estresse e ansiedade dentro das empresas), capacitação para lideranças conscientes, rodas de conversa com psicólogas, webinars, fornece ebooks e materiais de comunicação interna que ajudam na transformação da cultura e busca da construção de um ambiente psicologicamente seguro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), casos de ansiedade e depressão impõem uma perda de produtividade e prejuízo econômico de US$ 1 trilhão por ano para a economia global. De acordo com estudos da Fortune Business Insight, a vertical de saúde mental pode alcançar US$ 11,8 bilhões em 2027, como mercado. Nos EUA, os negócios voltados ao suporte a colaboradores de empresas captaram US$1,5 bilhões em 2020 para soluções nessa área.

Agora, o sonho do empreendedor é levar a Viki até a saúde pública, em um acesso mais amplo à população. Os recursos levantados vão ajudar a manter o ritmo. “Não se trata de substituir a terapia. A Viki ajuda as pessoas em emergências, em situações de muito estresse, e também a se conhecer. A partir daí cria uma trilha individualizada do que a pessoa precisa fazer, o que pode envolver atendimento humano. Dessa forma, acaba tendo um papel de educação, prevenção e representa um caminho para o tratamento”, destaca Kapps.

O uso de inteligência artificial traz uma grande capacidade de dar escala à companhia. “Só o fato de se dedicar à questão da saúde mental, um mercado tão carente, inexplorado e ainda repleto de preconceitos, já desperta interesse. Há muitas oportunidades. E considerando ainda o propósito de democratização do acesso a ferramentas para lidar com esse desafio, a Vitalk faz todo sentido como investimento para a Vox”, explica Marcos Olmos, head de venture capital da gestora, criada em 2012, quando tanto investimento de risco como de impacto eram ainda uma grande novidade. O investimento na companhia faz parte do terceiro fundo da casa, que já acumula R$ 500 milhões em ativos sob gestão.

Para quem acha estranho o uso de um avatar para um atendimento tão pessoal, há pesquisas que demonstram o quanto essa, na verdade, pode ser uma saída determinante para ajudar a cuidar da saúde mental. “Muitas pessoas preferem isso, falar com um robô, porque ainda sentem vergonha por precisar de ajuda”, explica o criador da Viki. 

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Por Graziella Valenti

Publicado anteriormente em: https://cutt.ly/9R8gaag

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