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Exame: Braile investirá R$ 27 mi em novos dispositivos cardiovasculares

Da redação
28 de fevereiro de 2023
Recursos serão destinados à pesquisa, ampliação da fábrica e contratação de novos profissionais

A Braile Biomédica está ampliando os investimentos para manter o ritmo de crescimento e buscar novos mercados. A empresa trabalha no setor de cirurgias cardiovasculares desenvolvendo dispositivos, oxigenadores, válvulas biológicas e stents.

A companhia foi criada em 1977 pelo cirurgião cardiovascular Domingo Braile, aluno e discípulo de Euryclides Zerbini, o primeiro cirurgião a realizar um transplante de coração na América Latina. Após retornar à São José do Rio Preto, cidade onde cresceu, o médico começou a desenvolver os próprios equipamentos para operar os pacientes, usando os conhecimentos em áreas pelos quais era apaixonado: medicina, mecânica e engenharia.

Aos poucos, com o crescimento da demanda pelos aparelhos, criou a Braile para atender médicos amigos que começavam a interiorizar os procedimentos cirúrgicos pelo país. Na época, os recursos eram escassos e as cirurgias e os equipamentos concentrados na capital paulista.

Ao longo dos anos, o médico e a empresa evoluíram no setor de doenças cardiovasculares. Braile também foi professor na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e da Unicamp. Ele faleceu em 2020, um ano depois do lançamento da biografia “A Céu Aberto. A História de Domingo Braile, O Consertador de Corações”.

Como o investimento será distribuído

Hoje, a Braile conta com 65 produtos registrados na Anvisa, distribuídos em 1.175 modelos e detém 32 patentes. Além do Brasil, origem de 85% da receita, a empresa exporta os seus produtos para outros 55 países, como Argentina, Portugal, Alemanha, Ucrânia, Rússia e Itália, a partir de distribuição terceirizada. Em 2022, faturou mais de 100 milhões de reais, avanço de 55% sobre o ano de 2021.

Para manter o ritmo de crescimento, a Braile está colocando 27 milhões em investimentos. Um valor bem maior que o aplicado tradicionalmente, em torno de 10% do faturamento. A quantia será distribuída em quatro partes:

  • R$ 12 milhões para PDI (Pesquisa, Desenvolvimento e inovação);
  • R$ 7 milhões para lançamento de produtos;
  • R$ 6 milhões para expansão da fábrica, dobrando o tamanho da unidade e a capacidade de produção de equipamentos;
  • R$ 2 milhões para contratação de novos profissionais, com a abertura de 100 majoritariamente para áreas operacionais.

O bom da companhia, de acordo com Rafael Braile (imagem), chief operating officer (COO) e neto do fundador, se deve, em parte, ao modelo de operação verticalizada. Como concentra quase todas as áreas do negócio, a empresa sentiu menos os impactos da crise na cadeia de produção global, decorrente da guerra da Ucrânia, pandemia de covid-19 e dos problemas econômicos.

“Nós fomos impactados pela crise de supply chain global, mas não tanto quanto as pessoas que tinham operações muito descentralizadas, compravam de vários fornecedores e tinham uma rede de produção mais complexa”, afirma.

Isso fez com que a Braile ganhasse mercado tanto no Brasil quanto no exterior suprindo as demandas deixadas por seus concorrentes, em geral grandes empresas de países desenvolvidos como a MideTronic e Abbott, dos Estados Unidos, e a Terumo, do Japão.

Como exemplo, o executivo cita o caso das válvulas biológicas, materiais feitos com tecido bovino ou suíno. Nos últimos anos, a empresa ampliou em 20 pontos percentuais a sua participação no SUS (Sistema Único de Saúde) com o produto, saltando de 65% para 85%. No país, o sistema público de saúde responde por 40% do faturamento da Braile, o privado por 30% e os outros 30% vêm da rede de distribuição.

Os próximos passos

Ao acelerar os investimentos, a Braile quer consolidar as posições conquistadas e mostrar que está pronta para ter uma atuação mais forte internacionalmente, entregando cada vez mais inovação em seus produtos.

Entre as projetos em andamento, está o desenvolvimento de uma válvula transcateter para a posição mitral e ainda um dispositivo para pessoas com insuficiência cardíaca, projetado para prolongar a vida do paciente enquanto aguarda por um transplante.

São soluções que a empresa enxerga com potencial de contribuir para que avance no mercado nacional e também no exterior, de onde espera um aumento no fluxo de receita: dos atuais 15% para 25% nos próximos três anos.

Um outro passo importante no processo de internacionalização, iniciado há cerca de sete anos, é a entrada no mercado dos Estados Unidos. A companhia está em conversas com o FDA, órgão correspondente à Anvisa brasileira.

No momento, faz levantamentos de mercado para entender quais produtos se encaixam no melhor no país da América do Norte, conhecido pela acirrada concorrência no setor de saúde.

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Por Marcos Bonfim

Publicado originalmente em: bityli.com/96abZ

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