Montadora chinesa amplia a produção local para nacionalizar veículos elétricos e avalia investir R$ 500 milhões em sistemas de armazenamento de energia
A BYD está ampliando sua produção de baterias no Brasil como parte da estratégia para nacionalizar a fabricação de veículos elétricos e reduzir a dependência de componentes importados. A montadora chinesa também se prepara para investir cerca de R$ 500 milhões em sistemas de armazenamento de energia em baterias, voltados ao suporte da rede elétrica nacional.
Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, a nova capacidade de produção faz parte do plano da companhia de alcançar 50% de conteúdo nacional nos carros fabricados no Brasil até o início de 2027.
“Nós estamos localizando, trazendo conteúdo local, para que consigamos de fato nos tornar uma fabricante brasileira”, afirmou Baldy, em entrevista à Reuters. “A bateria é mais um dos itens, um importante componente.”
A nacionalização da produção é considerada estratégica para a empresa cumprir exigências do governo, reduzir a carga tributária e avançar no plano de se tornar a marca de carros mais vendida do Brasil até 2030. O foco principal está na fábrica de Camaçari, na Bahia, onde a companhia conduz seu maior projeto industrial no país.
Além da produção de baterias para veículos, a BYD avalia investir em uma nova linha de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias, conhecidos pela sigla BESS. A decisão ocorre em um momento em que o Brasil se prepara para realizar, em dezembro, seu primeiro leilão voltado a baterias.
Esses sistemas são vistos como uma alternativa para um dos principais gargalos do setor elétrico brasileiro. Com o avanço da geração solar e eólica, a rede nem sempre consegue absorver toda a energia produzida nos horários de pico. Como resultado, parte da eletricidade gerada acaba sendo desperdiçada, o que prejudica a rentabilidade de projetos e pode afastar novos investimentos.
“Isso abre, de fato, uma nova fronteira para um novo segmento de baterias”, disse Baldy.
A BYD deve decidir nos próximos 90 dias se o investimento em BESS será direcionado à ampliação da fábrica da empresa em Manaus, atualmente voltada à produção de baterias para ônibus, ou se será usado para a construção de uma nova unidade dedicada ao segmento.
Paralelamente, a companhia investe entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões para expandir sua linha de produção de baterias para ônibus elétricos. Já a fabricação de baterias para carros no Brasil integra o plano de R$ 5,5 bilhões anunciado para a unidade de Camaçari.
Apesar de ter investido em direitos minerais em áreas ricas em lítio no Brasil, a BYD não pretende desenvolver esses ativos no curto prazo. Segundo Baldy, o baixo preço do mineral, usado na produção de baterias, reduziu o interesse da companhia em avançar nessa frente neste momento.
“Não está nos planos, não é objeto de discussão interna”, afirmou. “Estamos focados em consolidar nossa fábrica de carros a passeio para os carros da BYD e investindo para ampliar a nossa capacidade de fabricação de ônibus elétricos também.”
