Banco cria fundo para se desfazer de carteira herdada do Banco Master, reforçar capital e aliviar crise de liquidez, mas ainda dependerá de aporte do governo do DF
O Banco de Brasília (BRB) assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento que comprará ativos adquiridos em operações com o Banco Master, em operação aprovada pelo conselho com valor de referência de R$ 15 bilhões, dos quais entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões serão pagos à vista e o restante em cotas subordinadas do próprio fundo.
Segundo o BRB, a alienação dos ativos busca fortalecer a estrutura de capital e a liquidez, além de aprimorar a gestão do portfólio e racionalizar o patrimônio, sendo apontada como etapa relevante no processo de readequação da instituição, com expectativa de efeitos positivos sobre liquidez, gestão de ativos e estrutura patrimonial.
O banco tem hoje uma carteira de R$ 21,9 bilhões em ativos que eram do Master, já negociava a venda de R$ 1,9 bilhão e mantinha R$ 20 bilhões disponíveis, sobre os quais a Quadra apresentou proposta de compra por R$ 15 bilhões. Com a venda via fundo de investimento, o BRB espera conter a crise de liquidez, mas seguirá dependente de um aporte do governo distrital, que pretende contratar empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e de outros bancos públicos e privados para cobrir o rombo deixado pelo Master no patrimônio do banco estatal .
De acordo com o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, banco e governo avaliam quais garantias serão apresentadas nessas operações, entre elas imóveis públicos e ações de empresas estatais, após o BRB enfrentar uma nova crise de liquidez no início do mês que levou o executivo e a governadora a São Paulo para reuniões com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e outros representantes do sistema financeiro, ocasião em que a proposta com a Quadra já estava sobre a mesa e foi apresentada ao BC.
Em entrevista ao Estadão, a governadora Celina Leão afirmou que o BRB foi vítima de fraude atribuída ao ex-presidente Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal em 16 de abril, acusado de receber R$ 146 milhões em propina do banqueiro Daniel Vorcaro por meio da transferência de seis imóveis de luxo para tentar se manter no comando do novo banco que surgiria com a compra do Master, acusação que ele nega .
