Resultado no primeiro trimestre de 2026 foi pressionava novamente pela inadimplência no agronegócio
O Banco do Brasil iniciou 2026 com um resultado pressionado mais uma vez pela crise no agronegócio. O lucro líquido ajustado caiu para R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre, retração de mais de 53% em relação ao mesmo período do ano passado e de 40% frente ao trimestre anterior. A inadimplência no setor rural segue em alta e já alcança 6,22% da carteira, o que levou a provisão de perdas a saltar para R$ 16,8 bilhões, um avanço de 46% em 12 meses.
Diante desse cenário, o banco revisou pela terceira vez suas projeções, reduzindo o intervalo esperado de lucro líquido ajustado para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, abaixo da faixa anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. O custo de crédito também foi elevado, passando para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões, enquanto a margem financeira bruta foi ajustada para cima, agora entre 7% e 11%.
A CEO do BB, Tarciana Medeiros, reconheceu o “ambiente mais desafiador” e destacou medidas de enfrentamento, como maior uso de garantias, revisão dos fluxos de cobrança e intensificação das judicializações. O programa BB Regulariza Dívidas Agro já repactuou R$ 37,9 bilhões em mais de 73 mil operações, contemplando 25,5 mil produtores.
O retorno sobre o patrimônio líquido despencou para 7,3%, ante 16,7% um ano antes, refletindo a pressão sobre a rentabilidade. Apesar disso, a carteira de crédito expandida cresceu 2,2% em doze meses, alcançando R$ 1,3 trilhão, com destaque para o segmento de pessoas físicas, que avançou 7,8% e foi impulsionado pelo consignado CLT.
O resultado reforça a dependência do banco em relação ao agronegócio e a necessidade de ajustes contínuos em meio a um ciclo de inadimplência prolongado, que já levou a três revisões de guidance em menos de dois anos.
