Índice mostra um ambiente de cautela entre os diretores financeiros
A confiança dos CFOs brasileiros recuou no primeiro trimestre de 2026 e atingiu o menor nível desde 2020, segundo pesquisa do IBEF-SP em parceria com a Saint Paul Escola de Negócios. O Índice de Confiança do CFO (iCFO) marcou 123,1 pontos, queda de 3,4 pontos em relação ao trimestre anterior, refletindo um ambiente de maior cautela diante da instabilidade econômica.
Os três componentes do índice — macroeconômico, setorial e empresarial — registraram retração simultânea. A demanda interna e a estrutura tributária despontaram como principais preocupações, seguidas pela retenção de talentos e pela pressão competitiva. As projeções dos executivos indicam inflação de 4,6%, Selic em 13% e câmbio em R$ 5,39, com expectativa de crescimento do PIB em apenas 2%, sinalizando percepção de desaceleração.
Apesar do recuo na confiança, os planos de investimento seguem firmes. A tecnologia da informação permanece como prioridade absoluta pelo nono ano consecutivo, citada por 30% dos CFOs, seguida pela ampliação da capacidade instalada. Dentro da agenda tecnológica, soluções de inteligência artificial e Big Data começam a ganhar espaço: cerca de um terço dos executivos planeja destinar metade ou mais do orçamento de TI a essas áreas, enquanto quase metade ainda prevê investimentos mais tímidos.
Para José Claudio Securato, CEO da Saint Paul Escola de Negócios, a queda no otimismo reflete o cenário de instabilidade vivido pelo país e reforça a necessidade de atenção às demandas internas e à complexidade tributária. O movimento mostra que, mesmo em meio a pressões, os CFOs mantêm foco em inovação e expansão, mas com prudência diante das incertezas.
