Com o avanço do Embedded Finance, companhias de setores tradicionais deixam de ser apenas clientes dos bancos para capturar margens que podem elevar o faturamento em até 40%
O sistema financeiro brasileiro está deixando de ser um condomínio fechado. Com mais de 1.500 fintechs em operação e um volume de crédito que ultrapassa os R$ 5 trilhões, o país se tornou o laboratório perfeito para uma revolução silenciosa, mas extremamente lucrativa: o Embedded Finance (finanças integradas).
Nesse cenário, empresas de varejo, indústria e serviços descobriram que não precisam mais apenas pagar taxas bancárias — elas podem, agora, ser a própria infraestrutura financeira de seus ecossistemas. À frente desse movimento, a Finscale surge como a primeira “Fábrica de Fintechs” do país, estruturando verticais financeiras que transformam custos operacionais em novas linhas de receita recorrente.
O fim do “vazamento” de valor
Para muitas empresas, a jornada financeira do cliente é um ponto de fuga de capital. Elas vendem o produto, mas a margem do parcelamento, as taxas de antecipação e a custódia dos valores ficam com terceiros.
“Muitas empresas operam com margens pressionadas sem perceber que já possuem ativos financeiros relevantes que não estão sendo monetizados. Elas facilitam transações e assumem riscos, mas deixam o valor com os bancos. Quando estruturamos uma vertical financeira, a lógica muda: a empresa passa a capturar receita em diferentes pontos da jornada”, explica Leticia Moschioni, sócia da Finscale.
A estratégia não visa transformar uma fábrica de móveis ou uma rede de escolas em um banco tradicional, mas sim integrar serviços de crédito, pagamentos e contas digitais diretamente na operação. O resultado? Um incremento de receita que varia entre 15% e 40%.
Eficiência operacional e retenção
O movimento vai além de uma nova linha no balanço. Segundo Raphael Monteiro, também sócio da Finscale, a criação de uma vertical financeira própria garante um controle sem precedentes sobre a cadeia de valor.
- Previsibilidade: Melhor controle de fluxo de caixa e redução da dependência de bancos tradicionais.
- Fidelização: O cliente encontra tudo o que precisa (produto + crédito) em um só lugar.
- Inteligência de dados: A empresa passa a entender o comportamento financeiro do seu público, permitindo ofertas personalizadas.
“A empresa deixa de ser apenas usuária do sistema financeiro e passa a operar dentro dele. Isso permite ganhar eficiência e criar um ecossistema mais integrado. No longo prazo, quem entender esse movimento terá as maiores margens do mercado”, afirma Monteiro.
Do diagnóstico à execução
O grande desafio para uma empresa não-financeira é o “como fazer”. É aqui que entra o conceito de fábrica. A Finscale atua desde o diagnóstico estratégico — identificando onde o dinheiro está “escondido” na operação — até a modelagem econômica e a escolha dos parceiros tecnológicos.
Callebe Mendes, sócio da empresa, destaca que o diferencial está em tirar o projeto do papel e torná-lo rentável rapidamente. “Nosso papel é mostrar que as empresas já têm os ativos necessários, mas muitas vezes não sabem como transformar isso em produto. Estruturamos esse processo para que a fintech nasça dentro da empresa como uma nova fonte de receita”, pontua.
Finscale em números:
- Atendimento: Mais de 300 empresas de 15 setores diferentes.
- Volume: Mais de R$ 1 bilhão em operações financeiras viabilizadas.
- Crescimento: Faturamento de R$ 5,4 milhões no último ano, com projeção de saltar para R$ 20 milhões em 2024.
O futuro é híbrido
O avanço do Banking as a Service (BaaS) e a digitalização acelerada do brasileiro consolidam o Brasil como o mercado mais fértil para essa expansão. Se antes criar uma operação financeira exigia investimentos hercúleos em tecnologia e regulação, hoje o modelo de “fábrica” permite que a inovação seja plugada ao negócio de forma ágil.
Para o mercado, a mensagem é clara: em um mundo de margens cada vez mais apertadas, a próxima grande vantagem competitiva da sua empresa pode não estar no que ela vende, mas em como ela financia quem compra.
