Boom de remédios para emagrecimento expõe fragilidade da indústria farmacêutica
O setor farmacêutico vive um momento de euforia impulsionado pelos medicamentos para obesidade e diabetes, mas especialistas alertam para riscos de concentração que podem configurar uma “bolha”. Segundo relatório da Deloitte, divulgado pela CNBC, pela primeira vez em 16 anos a oncologia deixou de ser a principal área de valor em estágios avançados de pesquisa, superada pelos tratamentos contra obesidade.
A explosão de demanda por drogas como Wegovy e Zepbound elevou os retornos de P&D das 20 maiores farmacêuticas globais a 7%, o maior nível em anos. No entanto, sem os ativos ligados aos chamados GLP-1, esse índice cairia para apenas 2,9%, revelando um cenário bem mais frágil para o restante da indústria.
Hoje, os medicamentos contra obesidade já representam cerca de 25% das vendas previstas em pipelines avançados, contra apenas 1% em 2022. A oncologia, que antes liderava, caiu para 20%. Essa concentração significa que poucas moléculas de altíssimo potencial sustentam a maior parte do crescimento, aumentando a vulnerabilidade a choques específicos.
Embora os GLP-1 tragam benefícios comprovados, como redução de riscos cardiovasculares e tratamento de apneia do sono, ainda há muitas incertezas sobre seus efeitos em áreas como saúde cerebral e inflamação.
