Horas antes do anúncio de Trump, em 9 de julho, foram registradas movimentações suspeitas no mercado de câmbio no Brasil
Nesta segunda-feira (21) foi aberto, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), uma investigação federal sobre suposto uso de informações privilegiadas envolvendo o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. Há possibilidade que a prática ilegal de insider trading tenha permitido que alguém ou um grupo tenha lucrado alto no mercado de câmbio na tarde de 9 de julho, quando foi feito o anúncio.
De concreto há uma movimentação para lá de suspeita. Horas antes do anúncio, às 13h30, foi registrada a compra de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões cotados a R$ 5,46, informou a Advocacia Geral da União (AGU). Às 16h17 é divulgada a carta sobre o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. A partir daí há uma corrida por dólares. às 16h20 os mesmo dólares são vendidos a R$ 5,60. O lucro foi de, no mínimo, R$ 420 milhões, com cerca de 50% de lucratividade.
O sucesso abriu uma suspeita, pois tudo ocorreu em menos de três horas e os dólares foram vendidos minutos após o anúncio das tarifas, o que indica que alguém ou um grupo saberia o que estava para ocorrer e que haveria uma corrida por dólares.
Por isso a investigação foi pedida na semana passada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que incluiu esse episódio no âmbito do inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é investigado pela atuação junto ao governo norte-americano para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo e tentar barrar o andamento da ação penal sobre a trama golpista que pretendia impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no terceiro mandato, em 2022.
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