PATROCINADORES

Quando quem clica em seu banner não é o cliente – e sim a concorrência

No meio da pandemia, inúmeras empresas tiveram de fazer um plano de modernização gigantesco e instantâneo. Varejistas que nunca pensaram em e-commerce abriram seus estabelecimentos virtuais em questão de dias e tiveram de tomar um banho de loja digital à medida em que começaram a operar na internet. No meio dessa confusão, muitos começaram a criar e a veicular banners com seus empreendimentos – até porque, depois que o Google tomou conta deste mercado, é algo simples de fazer. Basta contratar os serviços, entregar o banner com as devidas marcações e escolher o perfil de sites em que a propaganda digital será veiculada (ou simplesmente utilizar o próprio sistema de busca através de “adwords”).

Há vários tipos de pacotes de veiculação de banners, mas há um muito popular que vincula o pagamento maior ao clique na peça publicitária. Ou seja, há um fee por impressão e outro por clique – uma ação feita teoricamente por quem tem um forte interesse no produto ou no serviço anunciado.

Um reportagem publicada no site Gizmodo nesta semana, entretanto, mostra que, às vezes, não é isso que ocorre.

O título original da matéria é: “Esquema desonesto – e eventualmente legal – de anúncios está sangrando pequenos negócios até o fim”. A repórter do site, Shoshana Wondisky, aponta que uma fraude está atingindo muitas livrarias, pizzarias e bares localizados em cidades pequenas ou bairros de grandes metrópoles, que se lançaram ao marketing digital como se esta ferramenta fosse uma tábua de salvação.

Uma pesquisa realizada pela empresa de segurança digital ClickCease descobriu que esses pequenos empreendimentos estão perdendo pouco mais de US$ 1 000 mensais em decorrência de um tipo de esquema bastante simples: cliques falsos nos banners das empresas. Quem estaria por trás desses movimentos que não geram negócios e fazem seus anunciantes desembolsarem dinheiro por eles? Os principais concorrentes desses patrocinadores.

Um exemplo da falcatrua está relatado na reportagem: “Se você é, digamos, um encanador e quer anunciar seus serviços no sistema de busca do Google, geralmente vai pagar um fee extra toda vez que alguém notar seu anúncio e clicar nele. Na maioria das vezes, espaços muito competitivos – e clientes que pagam cada vez mais – têm um custo por clique maior. Um chaveiro no Brooklyn pode pagar facilmente 20 dólares a cada vez que isso acontece”.

A ClickCease, em casos semelhantes ao do chaveiro, encontrou inúmeros exemplos de cliques vindos de um mesmo IP, seguidas vezes. Convenhamos, isso não é normal – e só pode ser uma ação deliberada para fazer o concorrente gastar mais em publicidade sem ter a contrapartida da receita gerada com a venda.

A empresa investigou cerca de 2 bilhões de cliques e chegou à conclusão de que cerca de 15 % das estatísticas mundiais de pessoas que apertam seus mouses em banners são fruto de fraudes. Nos Estados Unidos, esse índice é de 11% — mas o número de cliques falsos cresceu cerca de 21 % desde o início da pandemia provocada pelo coronavírus.

Especialistas em segurança levantam essa questão desde o início das quarentenas. O aumento da atividade cibernética iria causar fatalmente uma elevação no volume de fraudes e tentativas de violação de protocolos de segurança.

O que poucos imaginaram foi que se enxergaria em um simples banner a oportunidade de drenar o caixa de seus concorrentes. É impressionante: em vez de se dedicar ao próprio negócio e tentar alavancar suas vendas, há quem fique vigiando a atividade de marketing dos competidores para tentar enganá-los e fazê-los gastar mais dinheiro do que deveriam. No vernáculo, além de um bom palavrão, três expressões definem bem esse tipo de gente: são crápulas, canalhas e pilantras. Se esses biltres dirigissem ao próprio negócio um décimo da energia empreendida para atraiçoar a concorrência, provavelmente estariam multimilionários.

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