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PIB das ONGs; só dá COP; estagiários pretos; militares trans

Da redação
16 de novembro de 2025

Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios

Terceiro setor vira força econômica bilionária

As organizações não governamentais (ONGs) se consolidaram entre os motores sociais e econômicos mais relevantes. Em escala global a previsão é de US$ 443,2 bilhões movimentados até 2029, segundo a Research and Markets. Se fosse um país, seu PIB ficaria em 37º lugar, entre Dinamarca (US$ 459 bi) e Colômbia (US$ 438 bi), de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2025. No Brasil, as quase 900 mil organizações da sociedade civil (OSCs) já representam 4,27% do PIB (US$ 96,37 bi) no período e empregam 5,9 milhões de pessoas, reforçando a profissionalização do setor e seu impacto direto nas comunidades. Para Sheila Zanchet, fundadora do Instituto Sow, essa rede deixou de ser assistencialista e se tornou estratégica, impulsionada pelo protagonismo feminino — que ocupa 65% das posições e quase metade das lideranças. O avanço depende cada vez mais de parcerias privadas, doações consistentes, repasses governamentais e apoio comunitário para garantir sustentabilidade e ampliar resultados sociais.


iFood investe R$ 300 mi para descarbonizar entregas

Na COP30, o iFood anunciou um aporte de R$ 300 milhões para expandir o iFood Pedal, em parceria com a Tembici, tornando a plataforma o maior programa de entregas por e-bikes da América Latina. A frota chegará a 45 mil bicicletas elétricas, com 20 mil novas unidades até 2027, permitindo reduzir 7,5 mil toneladas de CO₂ por ano — o equivalente à absorção de 300 mil árvores. A Tembici, que já opera mais de 25 mil bikes em quatro países, continuará responsável pela operação da frota, agora ampliada para acelerar renda sustentável e emissões zero.


R$ 40 bi e 312 mil empregos no plano para a Amazônia

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a implementação de um plano de desenvolvimento sustentável para a Amazônia possa gerar 312 mil empregos e movimentar R$ 40 bilhões na economia brasileira, segundo o SB COP Legacy Report, apresentado na COP30. O estudo propõe transformar a região em motor do crescimento verde, com foco em bioeconomia, transição energética, finanças sustentáveis e empregos verdes, além de integrar saúde e contabilidade de carbono como bases de uma nova política industrial. Criada em 2025, a iniciativa SB COP envolve mais de 40 milhões de empresas em 60 países e reúne centenas de casos de sucesso que comprovam a viabilidade das soluções sustentáveis no setor privado.


R$ 912 mi para florestas: Re.green, BTG e Pátria puxam investimentos

Durante a COP30, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou cinco novas operações do Fundo Clima Florestas que destinam R$ 912 milhões — com potencial de gerar R$ 3,1 bilhões em investimentos — para restauração ambiental e sistemas agroflorestais em diversos biomas do país. Entre os beneficiados estão Re.green, BTG Pactual, Pátria Investimentos, Tree+ e Flona Irati, com projetos que vão da recuperação da Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado à implantação de SAFs em regiões de baixo IDH. As iniciativas combinam crédito competitivo, ciência e parceria com o setor privado, reforçando a restauração florestal como eixo econômico e estratégico da transição ecológica brasileira.


Lay’s e Ruffles com emissões reduzidas

A PepsiCo e a Yara iniciaram um projeto inédito no Brasil para reduzir em até 40% a pegada de carbono da produção de batatas usadas em snacks como Lay’s e Ruffles. A iniciativa leva aos agricultores fertilizantes do portfólio Yara Climate Choice, fabricados com amônia de menor emissão e até 90% menos gases de efeito estufa em comparação aos modelos convencionais. O piloto envolve seis produtores e cerca de 100 hectares no Paraná, com apoio técnico, incentivo à adoção de práticas regenerativas e otimização do uso de fertilizantes. A parceria integra a plataforma global pep+ e amplia ações já em andamento em outros países da América Latina. A mensuração das emissões será feita pela ferramenta Cool Farm Tool, e o programa inclui substituição gradual de insumos, melhor manejo de nutrientes e aumento da eficiência produtiva no campo.

Clima extremo causou 5.792 desastres na Amazônia desde 2000

Um estudo apresentado na COP30 revela o impacto crescente dos eventos climáticos extremos na Amazônia: entre 2000 e 2022, foram registrados 5.792 desastres, deixando prejuízos de R$ 5,7 bilhões e afetando 1,8 milhão de pessoas por ano — sobretudo indígenas e ribeirinhos. Segundo cientistas ligados ao Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), esses eventos reduziram em cerca de 6% o potencial de crescimento econômico da região e aprofundam um processo de empobrecimento crônico. O levantamento inclui relatos de moradores que já reformaram casas diversas vezes por causa de alagamentos recorrentes. Em Belém, a Nobel de Economia Esther Duflo defendeu um mecanismo de apoio direto às vítimas do aquecimento global — o PIX do clima — baseado no princípio de que países mais poluentes devem financiar quem sofre os maiores impactos climáticos.

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Cesta saudável cai, mas famílias ainda gastam R$ 1,2 mil por mês

Mesmo após seis quedas seguidas no preço da cesta básica saudável, que atingiu R$ 398 por pessoa em outubro, o acesso à alimentação nutritiva segue distante da realidade de muitas famílias brasileiras. Segundo o Pacto Contra a Fome, uma família de três pessoas ainda precisa de R$ 1.194 por mês para manter uma dieta equilibrada, enquanto a “inflação nutricional” mantém alimentos in natura mais caros que ultraprocessados. Apesar da estabilidade recente registrada na inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no grupo de alimentos, o impacto permanece maior entre famílias de baixa renda, reforçando a necessidade de políticas públicas e iniciativas privadas para garantir acesso real à alimentação adequada.

Sicredi apresenta ações para mulheres e energia limpa

O Sicredi divulgou suas iniciativas focadas no empreendedorismo feminino e na transição energética no campo, integradas à sua carteira verde de R$ 61,4 bilhões. Nos últimos cinco anos, a instituição direcionou 62% dos recursos captados para crédito sustentável à energia solar e 19% ao apoio a mulheres empreendedoras, além de neutralizar 27 mil toneladas de CO₂ referentes às operações de 2024 e 2025. Na AgriZone da Embrapa, na COP30, onde participou ao lado de outras cooperativas de crédito, o Sicredi exibiu casos sobre riscos climáticos, captações sustentáveis, café carbono neutro e ações de resiliência a eventos extremos.

Eletra quer sustentabilidade total nos ônibus elétricos

Empresa brasileira de tecnologia para propulsão elétrica, a Eletra atua no debates da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre descarbonização, operando o transporte oficial das delegações da COP30 com o BRT-Amazônia e fornecendo os 40 ônibus elétricos do BRT Metropolitano. A presidente Milena Braga Romano afirmou que a eletrificação precisa considerar todo o ciclo — desde projeto e produção até operação — e que soluções devem ser adaptadas às condições específicas de cada cidade. A empresa também apresentou o Eletra Consult, serviço que orienta planejamento de recarga, infraestrutura, capacitação de equipes e modelos financeiros. Para Milena, os ganhos ambientais se somam a potenciais reduções de custos operacionais e à geração de empregos na indústria.


ComBio instala caldeira elétrica em Paulínia

A Braskem firmou parceria com a ComBio para instalar uma caldeira elétrica movida a energia renovável em sua unidade de Paulínia (SP), substituindo parte do vapor produzido hoje com combustíveis fósseis. Com capacidade de 12 t/h, o equipamento deve reduzir cerca de 65% das emissões de CO₂ (escopos 1 e 2) da planta PP 3 PLN, além de diminuir custos operacionais e ampliar a competitividade da operação. O projeto, estruturado em contrato de 15 anos, marca a primeira caldeira elétrica da ComBio e uma das primeiras instaladas no país desde os anos 1980. A previsão de início de operação é no segundo semestre de 2026.



Coalizão dos Transportes reúne 121 adesões

Em Belém, na COP30, a Coalizão para a Descarbonização dos Transportes alcançou 121 adesões de empresas, concessionárias, secretarias e associações do setor, reforçando o compromisso de reduzir em até 70% as emissões do transporte brasileiro até 2050. Liderada por CNT, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Motiva e Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável, a aliança propõe 90 ações que vão da revisão da matriz logística ao avanço dos biocombustíveis e da eletrificação de frotas, atacando um setor responsável por 11% das emissões nacionais. As contribuições serão incorporadas ao Plano Nacional sobre Mudança do Clima apresentado na conferência.

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Moody’s: Brasil precisa investir 2% do PIB em energia limpa

Um relatório da Moody’s Ratings alerta que o Brasil terá de investir entre 1% e 2% do PIB ao ano até 2030 para alcançar a neutralidade de carbono em 2050, exigindo uma transição mais rápida e profunda do que a atual. Embora o país tenha vantagens como matriz elétrica limpa e abundância de biocombustíveis e minerais críticos, a agência de risco afirma que eliminar o desmatamento e apostar em soluções baseadas na natureza é vital, já que agricultura e uso da terra respondem por 60% das emissões nacionais. A transição terá custo bilionário e pode elevar a dívida pública, enquanto riscos climáticos extremos ameaçam reduzir o PIB em até 20% até 2050. Ainda assim, o potencial brasileiro de liderar a economia verde depende de governança robusta, expansão da energia renovável e eletrificação de transportes e indústria.

Pacto alemão no Brasil

A Siemens Brasil e a GIZ, Agência Alemã de Cooperação Internacional, assinaram em São Paulo o memorando Journey for Climate Action, uma parceria para impulsionar a descarbonização da economia brasileira e a desfossilização da indústria. O acordo mira áreas-chave da transição energética, como hidrogênio verde, SAF, aço verde, data centers sustentáveis, minerais críticos, rastreabilidade produtiva e inteligência artificial verde, prevendo projetos-piloto, missões técnicas e fortalecimento de redes colaborativas. A iniciativa reforça o papel do Brasil na agenda climática global e combina tecnologia e cooperação internacional.

Brasileiros valorizam energia renovável, mas só 26% adotam

O estudo global ESG Trends 2025, conduzido no Brasil pela Demanda Pesquisa, revela a maior lacuna entre importância percebida e ação sustentável: embora 76% dos brasileiros considerem essencial usar energia renovável, apenas 26% de fato adotam a prática — um hiato de 50 pontos percentuais. Segundo o presidente da Demanda, Silvio Pires de Paula, o descompasso se deve a barreiras como pouco acesso a fornecedores, custo percebido e falta de informação. A pesquisa também mostra que os hábitos sustentáveis mais praticados são aqueles que impactam diretamente o bolso, como evitar desperdício de alimentos (87%) e reduzir consumo de energia (80%). Especialistas apontam que novas medidas, como a futura obrigatoriedade de etiquetagem energética de edifícios, podem acelerar a adoção de fontes limpas. O levantamento comparou 13 países e entrevistou 7.298 pessoas em 2025.

Contratação de estagiários negros cresce 15 vezes

A contratação de estagiários negros no Brasil aumentou 15,6 vezes desde 2018, segundo o Mapeamento dos Estagiários Negros 2025, da Companhia de Estágios. A empresa projeta encerrar o ano com quase 8 mil jovens negros contratados, reflexo direto da expansão de políticas corporativas de diversidade. O levantamento mostra que 79% das contratações estão no Sudeste, 59% são mulheres e a idade média é de 23 anos. A área de Tecnologia da Informação lidera as admissões, seguida por finanças, administrativo e setores industriais. Apesar do avanço, o ritmo de crescimento desacelerou após 2022, indicando foco maior em retenção e desenvolvimento de carreira. O estudo também revela um movimento de flexibilização nos critérios de seleção: menos exigência de experiência, conhecimento em Excel e inglês, com empresas priorizando competências comportamentais e potencial de desenvolvimento.

STJ proíbe afastamento de militares trans

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que as Forças Armadas não podem afastar, reformar ou excluir militares apenas por serem trans ou estarem em transição de gênero. A decisão, tomada pela Primeira Seção, uniformiza o entendimento e passa a vincular todas as instâncias inferiores. O STJ também determinou que todos os registros internos devem adotar o nome social dos militares trans. O julgamento acolheu argumentos da Defensoria Pública da União (DPU), que representava militares obrigados a se afastar por sua transexualidade — um deles chegou a ser aposentado compulsoriamente — e rejeitou a tese da União de que critérios de gênero no ingresso poderiam justificar afastamentos posteriores.

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