Acordos firmados com BNDES durante a COP30 devem gerar até R$ 3 bilhões em investimentos e impulsionar projetos de restauração nos principais biomas do país
Durante a COP30, em Belém (PA), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou cinco novas operações de crédito do Fundo Clima Florestas, voltadas à restauração ambiental e à implantação de sistemas agroflorestais. Os contratos somam R$ 912 milhões, com potencial de gerar R$ 3,1 bilhões em investimentos totais, considerando as contrapartidas do setor privado.
Entre os beneficiados estão Re.green, BTG Pactual e Pátria Investimentos, além das companhias Tree+ e Flona Irati Florestal. A iniciativa marca um novo capítulo da política de transição ecológica no Brasil, consolidando a restauração florestal como um eixo econômico.
“A restauração florestal virou uma agenda econômica concreta no Brasil. Estamos combinando crédito competitivo, ciência, inovação e parcerias com o setor privado para gerar emprego, renda e recompor a biodiversidade”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Re.green amplia atuação e reforça liderança ambiental
A Re.green, vencedora do Earthshot Prize 2025 na categoria Proteger e Restaurar a Natureza, fechou seu segundo contrato com o BNDES, no valor de R$ 250 milhões, para restauração de 19 mil hectares na Amazônia e Mata Atlântica.
A empresa, que já havia recebido R$ 187 milhões em 2024, totaliza R$ 437 milhões em crédito do Fundo Clima. Os projetos devem empregar 3 mil pessoas e evitar a emissão de 1,27 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano.
BTG Pactual foca no Cerrado
O BTG Pactual, por meio da Camapuã Agropecuária, obteve R$ 200 milhões para restaurar e proteger 49,4 mil hectares no Cerrado de Mato Grosso do Sul. O projeto prevê a criação de 36 milhões de créditos de carbono e conta com parceria da Universidade Federal de Viçosa e da Conservação Internacional.
Pátria aposta em sistemas agroflorestais
O Pátria Investimentos também assinou contrato de R$ 200 milhões para a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em áreas degradadas da Bahia, Espírito Santo e São Paulo. O plano integra culturas como cacau, café e abacate com espécies nativas da Mata Atlântica, priorizando regiões de baixo IDH, como o Vale do Ribeira.
Tree+ e Flona Irati ampliam restauração da Mata Atlântica
A Tree+, do Grupo Lorentz (fundador da antiga Aracruz Celulose), recebeu R$ 152 milhões para recuperar 15 mil hectares de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. O projeto prevê o plantio de nativas, recomposição de áreas de preservação e formação de corredores ecológicos.
Já a Flona Irati Florestal, do Grupo Ibema, terá R$ 110 milhões para restaurar a Floresta Nacional de Irati, no Paraná, com apoio da Suzano. A ação envolve remoção de espécies exóticas, reflorestamento com nativas e iniciativas de ecoturismo e capacitação local.
Floresta como ativo econômico
Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, as novas operações consolidam o Fundo Clima como instrumento estratégico da transição ecológica brasileira.
“Estamos mostrando que o Brasil pode gerar riqueza e prosperidade reconstruindo suas florestas”, afirmou.
Com os novos aportes, o BNDES soma R$ 7 bilhões aplicados em projetos florestais nos últimos dois anos, viabilizando o plantio de 283 milhões de árvores e a captura de 54 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera.
“O Brasil tem todas as condições de liderar a nova economia da floresta e transformar o arco do desmatamento no arco da restauração”, concluiu Mercadante.
