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Havaí testa asfalto feito com plástico retirado do oceano

Da redação
6 de julho de 2026
Pesquisa usa redes de pesca descartadas e plástico reciclado em pavimentos; testes iniciais indicam que material não libera mais microplásticos que o asfalto convencional

O Havaí está testando uma nova forma de transformar lixo marinho em infraestrutura. Pesquisadores da Universidade do Pacífico do Havaí passaram a misturar redes de pesca descartadas e plástico reciclado ao asfalto usado em estradas, em uma tentativa de reduzir o volume de resíduos que acabam no oceano ou em aterros sanitários.

A iniciativa é conduzida pelo Centro de Pesquisa de Detritos Marinhos (CMDR) e busca avaliar se o plástico recuperado pode substituir parte dos polímeros usados no asfalto convencional, sem aumentar a liberação de microplásticos no ambiente.

 Foto: Divulgação/Universidade Hawaii Pacific

Os primeiros resultados são animadores. Segundo o estudo, trechos de pavimento feitos com polietileno reciclado não liberaram mais partículas plásticas do que o asfalto modificado por polímeros já usado nas estradas do arquipélago.

A pesquisa tem peso especial no Havaí, onde o lixo marinho é um problema persistente. Redes e equipamentos de pesca abandonados estão entre as principais fontes de detritos plásticos que chegam às ilhas. Pelo projeto “Bounty”, do CMDR, pescadores comerciais licenciados recebem recompensa para retirar esse tipo de material do Oceano Pacífico. Até agora, a iniciativa já recolheu 84 toneladas de grandes equipamentos de pesca abandonados.

 Foto: Divulgação/Universidade Hawaii Pacific


Para a química ambiental Jennifer Lynch, diretora do CMDR e líder da pesquisa, o projeto tenta resolver dois problemas ao mesmo tempo: dar destino a resíduos difíceis de reciclar e reduzir os custos ambientais e econômicos de transportar ou descartar esse material fora das ilhas.

O teste em campo foi feito em Oahu, onde uma rua residencial recebeu três tipos de pavimento: um com o polímero convencional usado no asfalto, outro com plástico reciclado do programa de coleta residencial de Honolulu e um terceiro com polietileno retirado de redes de pesca descartadas.

Após cerca de 11 meses, os pesquisadores voltaram ao local para analisar a poeira acumulada nas três seções. O objetivo era medir se o pavimento com plástico reciclado liberava mais microplásticos do que o asfalto tradicional.

A conclusão inicial foi positiva. Segundo os cientistas, o plástico parece se misturar ao ligante asfáltico. Assim, quando o pavimento sofre desgaste, ele libera partículas compostas por rocha, ligante e polímero juntos — e não fragmentos isolados de plástico.

Ainda serão necessários novos testes para medir a durabilidade do material ao longo do tempo. Se o desempenho for confirmado, a tecnologia poderá ajudar o Havaí a enfrentar dois gargalos locais: o acúmulo de resíduos plásticos e a necessidade de soluções mais sustentáveis para infraestrutura.

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