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XP alerta para cenário econômico mais desafiador e pede seletividade nos investimentos

Da redação
3 de novembro de 2026

A XP reduziu sua recomendação para a bolsa brasileira de positiva para neutra após revisar suas projeções para o cenário econômico dos próximos anos. Segundo relatório de estratégia da casa, a combinação de juros elevados por mais tempo, riscos fiscais e uma possível desaceleração da economia levou a instituição a adotar uma postura mais cautelosa em relação às ações brasileiras.

Apesar da mudança de visão, a XP continua enxergando potencial de valorização para o mercado. A instituição estima que o Ibovespa possa atingir 200 mil pontos até o fim de 2027, o que representa um avanço relevante em relação aos níveis atuais. Ainda assim, a casa avalia que o retorno esperado para a renda variável não é significativamente superior ao da renda fixa no horizonte analisado.

O relatório destaca que outubro foi marcado por forte volatilidade nos ativos brasileiros. Após um movimento positivo no início do mês, impulsionado pelo cenário eleitoral, o mercado devolveu os ganhos em poucos pregões. O Ibovespa encerrou o período com queda de quase 10%, enquanto setores mais ligados à economia doméstica sofreram perdas ainda mais expressivas.

Entre os pontos de atenção para os próximos meses, a XP cita o aumento das preocupações fiscais, a perspectiva de inflação e juros mais altos e o risco de revisões para baixo nas estimativas de lucro das empresas em 2027. Segundo a instituição, esse ambiente costuma ser menos favorável para ativos de risco e exige maior seletividade por parte dos investidores.

Mesmo com o cenário mais desafiador, a XP afirma que diversos ativos voltaram a negociar em níveis de valuation considerados atrativos após a recente correção. O múltiplo preço sobre lucro projetado do Ibovespa caiu para 8,2 vezes, abaixo da média histórica, enquanto o prêmio de risco da Bolsa voltou a subir.

Na avaliação da corretora, empresas com balanços sólidos, baixa alavancagem, forte geração de caixa e boa distribuição de dividendos devem continuar atraindo interesse dos investidores. Exportadoras também seguem favorecidas em um ambiente de câmbio mais depreciado e incertezas domésticas.

Entre os nomes destacados como oportunidades após a queda do mercado estão empresas como Itaú, Sabesp, Rede D’Or, Totvs, WEG, Petrobras, Embraer e Cury. O relatório também reforça preferência por segmentos considerados mais defensivos, como utilidade pública, bancos, agroindústria, papel e celulose.

Outro indicador monitorado pela XP mostra que o sentimento dos investidores voltou a níveis de pessimismo. O Índice de Sentimento XP encerrou outubro em 18 pontos numa escala de zero a 100, refletindo maior cautela dos agentes de mercado após a forte correção observada nas últimas semanas.

Para o fim de 2027, a XP trabalha com três cenários para o Ibovespa. No cenário-base, a projeção é de aproximadamente 200 mil pontos. Em um cenário mais otimista, o índice poderia alcançar 240 mil pontos, enquanto uma combinação de juros mais altos e lucros mais fracos levaria o mercado para a região de 152 mil pontos.

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