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“Queda da Selic é irrelevante para o PIB”, diz Sergio Vale

“Queda da Selic é irrelevante para o PIB”, diz Sergio Vale

É quase consenso entre os analistas de que o Banco Central vai baixar a taxa básica de juros, a Selic, em 2019. A discussão se dá em relação à magnitude (corte de 0,25 p.p ou 0,5% p.p?) e ao timming (agora ou no fim do ano?). Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a discussão é irrelevante para o crescimento da economia. Para ele, o Brasil finalmente criou as condições para conviver com uma taxa Selic nominal de 4% ao ano – algo inédito na história do país. Mas a queda dos juros, por si só, não vai ter grande impacto no crescimento. Mais importante do que isso é baixar o spread bancário, que é o custo do empréstimo pago pelo tomador, que é muito maior do que a taxa Selic. “Uma queda da Selic de 6,5% a.a para 5,5% a.a agora faria cócegas no PIB”, disse, em entrevista a MONEY REPORT. “O que vai causar mais impacto na economia é uma queda do spread e é isso que precisa ser discutido.” Confira abaixo outros trechos da entrevista.

Há espaço para o Banco Central baixar a Selic nos próximos meses?

Espaço há. A inflação está sob controle. Não vemos desgarramento da taxa da meta nem para esse ano nem para o ano que vem. A discussão está em quando isso vai ocorrer. O Banco Central tem sinalizado que só vai baixar os juros após aprovação da reforma da Previdência. Mas exatamente quando? Após a votação em primeiro turno na Câmara? Ou após a aprovação no Senado? Acho que vão esperar pela aprovação no Senado, embora eu ache que a aprovação mais importante seja na Câmara. Dificilmente haverá alguma surpresa depois dessa primeira etapa.

E quando ocorreria o corte?

A reforma deve passar em outubro ou novembro. Então veria uma queda dos juros acontecendo mais para o final do ano, em dezembro. Poderia cair meio ponto, de 6,5% ao ano para 6%.

E a queda causaria um impacto positivo no PIB?

Acho que, em termos de PIB, uma queda nominal da Selic teria efeito muito pequeno no crescimento. Para mim, a discussão não deveria se dar em torno da Selic. Com a aprovação da reforma da Previdência, a redução da meta de inflação, a reforma no BNDES e a atuação mais crível do Banco Central, criamos as bases estruturais para uma queda sustentável da Selic. Em cinco anos, vamos conviver com uma Selic nominal de 4% ao ano. Mas isso não é o mais importante.

E o que seria então?

Precisamos diminuir o spread bancário. Essa é a discussão que eu gostaria de ver. O que vai, de fato, provocar um impacto relevante no PIB é a redução do spread que, hoje, está em torno de 40%, ante 5% no “mundo civilizado”. A aprovação do cadastro positivo foi importante para a redução do spread, mas precisamos discutir outras medidas.

Quais?

No Brasil os bancos têm muita dificuldade em recuperar garantias ou retomar bens após inadimplência do tomador de empréstimo. No mundo, a média de recuperação é de 80%. No Brasil, em torno de 10%. E isso impede a queda do spread. Esse ponto é muito mais relevante do que a concentração bancária. Com o crescimento as fintechs, a competição está aumentando e vai ajudar na queda do spread.

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