PATROCINADORES

O expediente 24/7 do Home Office e o desafio de trabalhar em casa

Confesso que esperava algo completamente diferente quando vi que os afazeres da redação seriam transferidos para casa e que entraríamos no maravilhoso mundo do Home Office. Na minha ingenuidade, acreditava que os dias seriam monótonos e chatos, sem a agitação do escritório e a riqueza que vem da troca de experiência com os colegas. Neste cenário que só existia em minha cabeça, o ritmo do trabalho era devagar, quase parando.

Optamos em MONEY REPORT pelo trabalho à distância desde o dia 19 de março. Portanto, a equipe está completando, neste final de semana, um mês nesta situação. Vejo, agora, que aquele panorama que imaginei sobre o Home Office só existia em minha cabeça.

Quem achou que esses dias de trabalho em casa seriam férias pagas pelos empregadores teve de refazer seus conceitos. Em inúmeros casos, trabalha-se muito mais desde o início das regras mais severas de isolamento social do que antes.

Tome-se o caso de um CEO que dirige uma das maiores operações de varejo no Brasil. Ele começa seu dia de trabalho às 8 horas da manhã e raramente termina sua jornada antes das 9 da noite. Seu departamento de tecnologia montou vinte salas virtuais com a presença de todos os executivos dos diversos setores da empresa. Ele passa o dia pulando de um ambiente virtual para outro, sem sair do lugar. Resultado: nunca esteve tão sintonizado com tudo o que ocorre em seus negócios.

Outro amigo é responsável por uma empresa cujo faturamento está na casa do bilhão de reais. Ele tinha uma reunião semanal com a diretoria para traçar estratégias, medir vendas e monitorar a gestão. Desde o início da quarentena, as reuniões – virtuais – são diárias e começam pontualmente às oito da manhã, com duração de uma hora e meia. Essas conversas têm produzido ideias que talvez não surgissem numa rotina à qual todos estavam acostumados e dependesse tanto da presença física de seus participantes, sujeita principalmente aos atrasos causados pelo trânsito das grandes metrópoles.

Mais um caso, contado por alguém que conheço há (Meu Deus!) quarenta anos. Uma das áreas de sua empresa têm milhares de funcionários lotados em um callcenter. Ele resolveu colocar todos os operadores em suas casas, apesar de todas as dores de cabeça que decisão pudesse trazer. Não foram poucos os desafios. A segurança de uma empresa, por exemplo, não se pode comparar com a de uma residência – e muitos de seus funcionários tinham acesso precário à internet. Imagine agora que vários desses operadores começaram a trabalhar num canto de uma casa pequena e com inúmeras chances de distração. No início, foi um pesadelo. Mas, aos poucos, tudo foi se ajeitando.

Os desafios são enormes. Como lidar com os filhos, que estão tão estressados com essa situação quanto os adultos? Como se concentrar quando não há o limite físico entre escritório e residência? E como se desligar e relaxar a mente? Não existe mais aquele momento “acabou”, que geralmente todos sentem quando deixam o prédio onde trabalham.

As preocupações profissionais invadiram a casa, o espaço sagrado no qual todos buscavam se recompor dos dias estafantes e dos aborrecimentos enfrentados na labuta. Hoje, a própria residência é palco destes momentos difíceis que configuram o nosso dia a dia profissional.

Ainda não encontramos o melhor jeito de reformatar nossas cabeças nesse novo desenho. Mas percebe-se que entramos num outro patamar de produtividade. As pessoas achavam que estavam trabalhando muito antes da pandemia. Agora, muitos acham que o impossível aconteceu: estão labutando mais. Com o final de tudo isso, as coisas voltarão ao patamar anterior? Dificilmente. O volume de trabalho deve se elevar – e a quantidade de pessoas trabalhando em Home Office idem. Só uma coisa deve mudar: o grau de cobrança, que hoje é alto, vai crescer brutalmente, pois na hora da retomada todos estarão pilhados e tentando recuperar o tempo perdido em uma só tacada. Será possível? Claro que não. Nessa hora, quem conseguir combinar assertividade nas cobranças com cabeça fria vai ganhar o jogo. Os talentos estarão estressados e sonhando com novos desafios. Quem tiver caixa e boa lábia vai fazer a festa e reforçar os quadros de sua empresa quase sem se esforçar.

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pergunte para a

Mônica.