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O CEO improvável: Paul McCartney

O CEO improvável: Paul McCartney

John Lennon fundou os Beatles com a fúria de um empreendedor. Escolheu os membros de sua banda, inventou seu nome e dedicou-se a tocar guitarra como se fosse uma missão divina. Mandava no grupo com mão de ferro e viu uma enorme oportunidade ao ser convidado para tocar em Hamburgo.

Nesta cidade alemã, os Beatles de fato começaram a ser forjados. Eles eram apenas uma banda de rock, com garotos topetudos e de brilhantina, que tocavam razoavelmente bem. Mas não eram músicos brilhantes. Tocaram tanto na noite de Hamburgo que passaram a dominar a técnica musical como poucos. Foi lá também que conheceram o corte de cabelo mop-top, que os tornaria reconhecidos nos quatro cantos do mundo.

Ao voltar à Inglaterra, Lennon era ainda o chefe, principal compositor e vocalista líder. Foi neste momento que precisou abrir mão de parte de seu poder para fazer com que os Beatles chegassem ao estrelato. Primeiro, quando foram contratados pelo empresário Brian Epstein e gravaram seu primeiro álbum em 1963. Epstein passou a comandar todo o lado operacional. Mais tarde, o produtor e maestro George Martin passou a dar as cartas durante as primeiras gravações.

Com o sucesso estrondoso, Lennon ficou rico. Mas não teve tempo de relaxar. Entre 1964 e 1966, viajaram o mundo todo. O resultado desta convivência contínua foi um enorme número de canções composta em parceria com Paul McCartney. Às vezes no banco de trás de uma van; em outras ocasiões, a bordo de um avião – ou num quarto de hotel.

Em 1966, os Beatles comunicaram a Epstein que não fariam mais turnês. Lennon, George Harrison e Ringo Starr resolveram morar em mansões no subúrbio londrino. Já Paul McCartney ficou em Londres. E passou a frequentar tudo o que é tipo de show, performance e peça de teatro. Sua cabeça estava aberta a influências como nunca. Ficou mais afiado e ligado. O resultado desta separação fez com que Lennon e McCartney passassem a compor menos em dupla. Geralmente, um começava uma canção e juntos a terminavam. Mas havia acabado a fase da parceria total.

Lennon não estava feliz com a vida de suburbano rico, enquanto McCartney desfrutava de cada minuto em Londres. John Lennon, no fundo, estava vivendo a falta de motivação que muitos empreendedores sentem quando ficam ricos. A sensação de chegar no Olimpo e perder a motivação. Paul McCartney, por sua vez, sentia-se no auge criativo e tomou as rédeas da banda.

Conhecido por um estilo mais conservador e compositor de baladas açucaradas, McCartney teve a ideia conceitual do álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. O arranjo dadaísta de orquestra na canção “A Day in the Life”, por exemplo, é dele. Mais tarde, comporia a música mais barulhenta da banda – Helter Skelter. Por fim, foi de Paul a ideia de fazer uma colagem de canções inacabadas no lado B do disco Abbey Road, que se tornou a marca registrada do álbum.

McCartney percebeu que havia uma rivalidade entre ele e o parceiro. E resolveu ganhar a disputa. Contribuiu, nos discos de 1966 a 1969, com quase que o dobro de canções de Lennon. Foi quem mais trabalhou na produção das músicas, deixando George Martin numa posição secundária.

Enfim, virou o CEO da banda.

Se a primeira fase de sucesso dos Beatles deve-se a John Lennon, a segunda, após “Pepper”, é obra de Paul McCartney.

Foi ele quem liderou os Beatles na fase mais madura. Em compensação, foi justamente a mão de ferro de McCartney que gerou os desentendimentos que causaram o fim do grupo. Os três outros Beatles, descontentes, impuseram a contratação de um empresário, Allen Klein, que gerou discórdias incontornáveis na banda. Até que John Lennon resolveu pedir o boné. Mas ficou quieto e só contou sobre o rompimento para um jornalista, para quem pediu sigilo. Quem anunciou o fim da banda para os fãs? Sim, ele mesmo: Paul McCartney, o CEO. Chamando para si a responsabilidade até nos momentos mais difíceis.

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