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Mercado de seguros quer se adaptar ao consumidor 50+ mais digital e exigente

Lorena Scavone Giron
18 de maio de 2026
Envelhecimento da população pressiona seguradoras a rever linguagem, produtos e experiência para atender público com maior renda e consumo online

O avanço da longevidade no Brasil tem levado o mercado de seguros a repensar produtos, comunicação e estratégias voltadas ao público acima dos 50 anos. Com mais de 34 milhões de idosos no país, segundo o IBGE, seguradoras e insurtechs vêm ampliando discussões sobre personalização de serviços, prevenção e experiências digitais voltadas a consumidores maduros.

A movimentação ocorre em meio às projeções de crescimento do setor. Dados da CNseg apontam que o mercado securitário deve crescer 5,7% em 2026, com arrecadação estimada em R$ 808 bilhões.

Segundo Marcos Eduardo Ferreira, especialista em longevidade e mercado securitário, o envelhecimento da população altera o perfil de consumo e exige uma abordagem menos padronizada das empresas do setor.

“O mercado evoluiu muito em comunicação e relacionamento, mas ainda utiliza linguagens que podem dificultar o entendimento de parte dos clientes. O consumidor maduro valoriza clareza e uma comunicação mais objetiva”, afirma.

Para ele, um dos desafios é entender que o público 50+ reúne perfis bastante distintos. “Existem diferenças importantes entre consumidores de 50, 60, 70 ou 80 anos. As prioridades mudam ao longo da vida, especialmente em temas como saúde, estabilidade financeira e proteção patrimonial”, diz.

Além da mudança demográfica, o setor também enfrenta a transformação digital desse público. Dados do 1º Anuário Mosaic Insights mostram que 16,8% dos brasileiros acima de 60 anos já mantêm consumo digital ativo. Entre consumidores de renda mais elevada, esse índice pode chegar a 64,2%.

Segundo Ferreira, o consumidor maduro atual tende a ser mais informado, conectado e exigente, o que aumenta a pressão por jornadas digitais mais simples e atendimento menos burocrático.

Nesse cenário, startups e insurtechs têm buscado espaço ao apostar em soluções mais flexíveis e focadas em prevenção, qualidade de vida e personalização. Para o especialista, há espaço para integração entre a experiência das seguradoras tradicionais e a agilidade das empresas mais novas.

“As empresas mais recentes conseguem testar modelos mais ágeis e simplificar experiências, enquanto as seguradoras tradicionais carregam confiança e solidez. Existe espaço para integração entre inovação, tecnologia e experiência de mercado”, afirma.

O avanço da chamada economia prateada também tem ampliado o debate sobre planejamento financeiro de longo prazo e produtos voltados à longevidade saudável. Para Ferreira, a tendência é que o setor securitário tenha papel cada vez mais estratégico nesse processo.

“A longevidade muda a forma como consumimos serviços financeiros. O mercado de seguros acompanha o cliente ao longo de praticamente toda a vida, e isso exige um entendimento mais profundo sobre comportamento e necessidades desse público”, conclui.

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