Revisão é a 8ª seguinda e aponta cautela frente ao cenário macroeconômico brasileiro, com expectativas inflacionárias superando o teto da meta oficial pela primeira vez no semestre
O mercado financeiro revisou novamente para cima as estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (4) no Boletim Focus. A nova projeção aponta uma inflação de 4,89% para o ano, refletindo a crescente preocupação dos agentes econômicos com a pressão sobre os preços domésticos.
A elevação das expectativas ocorre em um momento em que a economia enfrenta desafios persistentes, incluindo a volatilidade cambial e pressões de custos em setores fundamentais, como o energético. Analistas destacam que a trajetória dos preços tem dificultado o processo de ancoragem das expectativas, mantendo o Banco Central em estado de vigilância constante sobre a política monetária.
Com a nova estimativa, o mercado sinaliza uma percepção de maior dificuldade no cumprimento das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A persistência desse cenário pressiona a curva de juros, uma vez que o mercado antecipa que a taxa Selic deverá permanecer em patamares restritivos por mais tempo do que o inicialmente previsto.
Apesar da revisão altista, o mercado continua monitorando de perto os indicadores de atividade econômica e o comportamento dos preços administrados. A expectativa de novos reajustes, especialmente nas tarifas de energia elétrica, figura como um dos principais fatores que contribuem para a deterioração das projeções inflacionárias para o fechamento de 2026.
PIB
A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 1,85%. Para 2027, a estimativa recuou para 1,75%, na primeira queda após estabilidade em 1,80%.
Dólar
A projeção para o dólar em 2026 ficou em R$ 5,25, estável pela primeira semana, após queda frente às estimativas de quatro semanas atrás. Para 2027, a expectativa recuou para R$ 5,30.
Selic
A taxa Selic para 2026 foi mantida em 13% ao ano pela segunda semana consecutiva. Para 2027, a projeção seguiu em 11%, também estável há duas semanas.
