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Esteves avalia incertezas globais e fiscais

Lorena Scavone Giron
10 de fevereiro de 2026
Chairman do BTG Pactual afirma que “a economia parece não ter muito segredo” e aponta sustentabilidade da dívida como principal desafio, apesar dos tremores externos

O cenário geopolítico global, a trajetória fiscal brasileira e os fluxos internacionais de capital dominaram o painel “Outlook de Grandes Gestores”, último debate desta terça-feira no CEO Conference 2026, do BTG Pactual. A conversa reuniu André Jakurski (JGP), Luís Stuhlberger (Verde Asset) e Rogério Xavier (SPX Capital), com moderação de André Esteves, diante de um público formado por investidores, empresários e executivos. O evento continua nesta quarta-feira com mais um dia de discussões.

Logo na abertura, Esteves destacou que os mercados vêm sendo influenciados principalmente pelo ambiente externo.

O que está driving os preços de mercado é o mercado externo, principalmente o americano”, afirmou, citando a realocação recente de portfólios globais como um dos movimentos mais relevantes dos últimos meses.

Essa leitura foi reforçada por André Jakurski, que atribuiu o bom desempenho recente de ativos brasileiros sobretudo ao cenário internacional.

“Nada do que aconteceu recentemente nos mercados tem muito a ver com o Brasil; é mais um movimento global de realocação de portfólios”, afirmou, destacando que mudanças na percepção de risco global têm pesado mais do que fatores domésticos na formação de preços.

Reprodução Vimeo


Geopolítica e economia global

Na avaliação do chairman do BTG, mudanças estruturais e tensões geopolíticas devem continuar moldando decisões de investimento. Ele apontou riscos na Ásia, sobretudo envolvendo China e Taiwan, além de fragilidades na Europa ligadas ao custo energético, competitividade industrial e aumento dos gastos militares.

Sobre os Estados Unidos, Esteves mencionou preocupações fiscais e institucionais, afirmando que a incerteza tende a permanecer elevada no horizonte mais longo.

A incerteza é muito grande, não em relação ao curto prazo, mas ao médio e longo prazo”, disse.

A leitura foi parcialmente compartilhada por Luís Stuhlberger, que destacou a crescente preocupação global com a dívida americana e seus efeitos sobre os fluxos de capital. Segundo ele, a diversificação de portfólios internacionais começou ainda após o conflito na Ucrânia e pode ganhar intensidade dependendo do cenário político nos EUA.

Brasil: fiscal ainda é ponto sensível

Ao trazer o debate para o Brasil, Esteves afirmou que o país hoje não enfrenta um quadro de crise aguda, citando desemprego baixo, inflação em desaceleração e reservas robustas. Ainda assim, ressaltou que a sustentabilidade fiscal segue como principal desafio.

A economia parece não ter muito segredo. O que falta é dar sustentabilidade à dívida”, afirmou.

Rogério Xavier apresentou uma visão relativamente mais construtiva para o cenário global e seus reflexos nos mercados, argumentando que a combinação de crescimento nos EUA, inflação em queda e possível continuidade do corte de juros pelo Fed tende a sustentar desempenho positivo dos ativos.

Segundo ele, “o cenário na margem ainda é favorável ao risco”, embora existam incertezas relevantes.

Eleições e percepção de risco

A proximidade das eleições brasileiras também entrou no debate. Para os gestores, o tema permanece no radar, mas não tem sido o principal determinante dos preços no curto prazo.

Stuhlberger observou que investidores estrangeiros continuam atentos ao quadro fiscal brasileiro e à trajetória da dívida pública, destacando que o espaço para aumento de carga tributária é cada vez mais limitado.

Já Esteves ponderou que o país ainda possui condições favoráveis para crescimento se avançar em reformas e mantiver a estabilidade institucional.

A batalha mais importante é a guerra do Brasil institucional contra o Brasil não institucional”, afirmou, acrescentando que esse desafio transcende divisões ideológicas e depende do fortalecimento das instituições.

Primeiro dia termina com cautela nos mercados

O painel encerrou o primeiro dia do CEO Conference 2026, marcado por discussões sobre política monetária global, inteligência artificial, cenário fiscal e perspectivas econômicas. O evento continua nesta quarta-feira (11) com novos painéis e debates sobre economia, política e investimentos.


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