Modelo aumenta o endividamento do país e pode dificultar o controle da inflação
Os empréstimos do Tesouro Nacional a fundos e bancos públicos dispararam 34,5% em 2025, alcançando R$ 307,2 bilhões, segundo dados divulgados pela Folha de S. Paulo. A alta, de R$ 78,7 bilhões em apenas um ano, tem sido vista por especialistas como uma forma de driblar as restrições fiscais, já que boa parte dos custos não entra no limite de despesas nem no resultado primário.
Nos três primeiros anos da gestão Lula, o crescimento acumulado chegou a 55,5%. Os recursos, obtidos via emissão de títulos da dívida pública, financiam programas como Minha Casa, Minha Vida, Plano Brasil Soberano e crédito rural com juros subsidiados.
Esse modelo, na avaliação de críticos, gera o chamado “subsídio implícito”, que não aparece no Orçamento, mas aumenta o endividamento do país e pode dificultar o controle da inflação pelo Banco Central.
A equipe econômica defende a estratégia, alegando que os empréstimos sustentam setores-chave da economia. Só em 2025, foram anunciados R$ 35 bilhões em novas operações, incluindo R$ 20 bilhões para habitação e R$ 15 bilhões para mitigar impactos de tarifas dos EUA e da guerra no Irã sobre empresas brasileiras.
Dois tipos de contas puxaram a expansão: os haveres financeiros ligados a operações fiscais, que cresceram 24,75% e chegaram a R$ 143,15 bilhões, e os outros empréstimos e financiamentos, que saltaram 44,3% para R$ 164,1 bilhões. Entre os destaques estão o reforço de R$ 20 bilhões ao Fundo Clima e a liberação de R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas rurais.
A tendência é de continuidade em 2026, com novos aportes previstos em fundos e programas estratégicos.
