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Conflito na Ucrânia encarece trigo e muda rotas de exportação

Volatilidade do preço do grão foi de 61,91% no primeiro trimestre. Índia e Brasil podem começar a vender

A invasão russa à Ucrânia no final de fevereiro trouxe um choque para as cadeias de suprimentos de commodities. O trigo está entre as mais afetadas, já que Ucrânia e Rússia respondem por cerca de 30% das exportações globais. Agora, grandes importadores, como Egito, Turquia, China, Argélia, Irã, Marrocos e Arábia Saudita, estão se desdobrando para garantir o cereal. Volatilidade do preço do cereal foi de 61,91% no primeiro trimestre. Além disso, entre o segundo trimestre de 2020 e dezembro de 2021, o preço do trigo já havia enfrentado alta de 18%.

“A instabilidade do conflito Ucrânia-Rússia começa a criar um efeito chicote na cadeia de abastecimento alimentar. É difícil projetar totalmente as implicações, mas esta crise terá efeitos secundários claros em outros celeiros.” explica o líder da McKinsey’s Chemicals and Agriculture Practices, Daniel Aminetzah.

Nesse contexto, o desdobramento do conflito fez com que a maioria dos leilões de trigo acontecessem em março – antes ocorriam no segundo semestre, quando o fim da colheita no Mar Negro garantia disponibilidade. “O conflito forçou uma mudança, provocando uma alta histórica no volume dos leilões de março, o que permitiu a alguns países montar reservas estratégicas”, diz o analista de commodities, David Silbiger.

O profissional explica que o adiantamento do fluxo de importações não é tão baixista para o segundo semestre. “Como Rússia e Ucrânia já haviam exportado a maior parte das suas colheitas de 2021/2022 quando a guerra começou – deixando pouco trigo dessa região para ser disputado – os importadores se viram forçados a buscar outros fornecedores”, afirma o analista.

Novos fornecedores

Segundo o recente relatório “Demanda de trigo diante do conflito”, da hEDGEpoint Global Markets, o conflito provocou outro fenômeno: regiões como Argentina, União Europeia e Estados Unidos – e até mesmo Índia e Brasil, que normalmente não são exportadores -, tendem a ser os maiores beneficiados, fornecendo o cereal para os países do Mediterrâneo.

Porém, para aproveitar essa oportunidade, de acordo com o gerente sênior de Risco de Grãos e Algodão, Roberto Sandoli, é preciso estar muito atento aos efeitos das variáveis imprevisíveis no momento da negociação de compra ou venda do trigo. “Como uma commodity negociada em Bolsa, o trigo está sujeito às oscilações do mercado, de fatores políticos, saúde pública (pandemia) e questões climáticas, como escassez de água, El Niño ou La Niña. Por isso, tanto os compradores, moinhos, indústria alimentícia e cooperativas, quanto os produtores precisam ter uma visão estratégica de gestão de riscos para garantir bons resultados”, alerta o especialista.

As incertezas geradas pelo conflito no Leste europeu trouxeram grandes impactos sobre as exportações e o preço do cereal no mundo. Um estudo da hEDGEpoint Global Markets mostrou que só no primeiro trimestre deste ano, a volatilidade do preço do trigo foi de 61,91%. “Para fazer frente a esses riscos e não ter prejuízo na hora da compra ou da venda do trigo, é necessário utilizar ferramentas de hedge. A estratégia de hedge para commodities tem o objetivo de proteger contra flutuações desfavoráveis e preparar o negócio para os movimentos globais de oscilação de câmbio, preço e mudanças de oferta e demanda. É o momento de começarmos a repensar a forma de como é feita essa negociação de trigo”, ressalta.

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