Acordo anunciado por Trump prevê compra inicial de 200 aeronaves e recoloca fabricante americana no centro da disputa aérea com a Airbus no mercado chinês
A Boeing pode voltar ao centro do mercado de aviação chinês após quase dez anos de afastamento. Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a China concordou em comprar inicialmente 200 aeronaves da fabricante americana, com potencial para ampliar o pedido para até 750 aviões.
O anúncio foi feito durante visita oficial de Trump a Pequim e marca a primeira grande negociação da Boeing com empresas chinesas desde 2017, período em que a fabricante perdeu espaço no país em meio à escalada das tensões comerciais entre Washington e Pequim.
Apesar do simbolismo político e econômico do acordo, o mercado reagiu de forma negativa. As ações da Boeing caíram 4,73% após as declarações de Trump, já que investidores esperavam uma encomenda superior a 500 aeronaves — número que vinha sendo especulado pela imprensa americana e por analistas do setor.
O republicano, porém, afirmou que o resultado superou as expectativas internas da própria empresa.
“A Boeing queria 150, e ele conseguiu 200”, disse Trump em entrevista à Fox News, ao comentar a negociação firmada com o presidente chinês Xi Jinping durante um banquete oficial no Grande Salão do Povo.
Mesmo abaixo das projeções do mercado, o acordo é visto como estratégico para a Boeing, que tenta reconstruir sua presença no segundo maior mercado de aviação do mundo após anos de avanço da rival europeia Airbus na China.
Nos bastidores, fontes ouvidas pela Reuters afirmam que negociações chegaram a discutir uma encomenda próxima de 500 aeronaves antes do encontro entre os líderes dos dois países.
Caso a ampliação para até 750 aviões se concretize, o contrato poderá se tornar um dos maiores da história da aviação comercial mundial.
Trump afirmou ainda que os aviões serão equipados com motores da GE Aerospace. A delegação americana em Pequim contou com a presença de 17 executivos, incluindo o CEO da Boeing, Kelly Ortberg, e o presidente da GE Aerospace, Larry Culp.
Para a China, a compra ajuda a sustentar a expansão acelerada de seu setor aéreo enquanto a fabricante estatal COMAC ainda enfrenta dificuldades para elevar a produção do modelo C919 ao ritmo planejado.
Já para Trump, o acordo representa uma oportunidade de apresentar resultados concretos de sua política comercial em um momento em que tarifas e medidas protecionistas ainda não conseguiram reduzir significativamente o déficit comercial americano.
