Levantamento coloca Inglaterra, França e Espanha no topo das seleções mais valiosas de 2026; equipe brasileira aparece só em sexto lugar, atrás de Portugal
O futebol de seleções chega à Copa do Mundo de 2026 com um retrato claro da concentração econômica do esporte: os elencos mais valiosos do planeta estão cada vez mais ligados à força financeira das ligas europeias. Levantamento com base em dados da Transfermarkt e da Sports Value aponta a Inglaterra como a seleção mais cara do mundo, com valor de plantel estimado em € 1,62 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 9,4 bilhões pela cotação de 21 de maio.
O ranking expõe mais do que a tradição esportiva de cada país. Ele mostra a capacidade de formar, valorizar e manter jogadores em mercados de alto impacto global. O chamado valor de plantel representa a soma das avaliações individuais dos atletas convocáveis de cada seleção, considerando fatores como idade, desempenho, potencial de mercado, contratos, projeção futura e força comercial.
A liderança inglesa reflete diretamente o peso da Premier League, principal vitrine financeira do futebol mundial. O jogador mais valioso da seleção é Jude Bellingham, avaliado em € 280,4 milhões, cerca de R$ 1,63 bilhão. A França aparece em segundo lugar, com elenco estimado em € 1,47 bilhão, puxada por Kylian Mbappé, avaliado em € 200 milhões. A Espanha completa o pódio, com € 1,31 bilhão, sustentada pela ascensão de Lamine Yamal, também estimado em € 200 milhões.
A Alemanha ocupa a quarta posição, com € 1,01 bilhão em valor de mercado, tendo Jamal Musiala como principal nome, avaliado em € 140 milhões. Portugal vem em quinto lugar, com € 965 milhões, liderado por João Neves, estimado em € 110 milhões.
O Brasil aparece apenas na sexta colocação, com plantel avaliado em € 905 milhões, cerca de R$ 5,28 bilhões, fora do grupo de seleções que superam a marca de € 1 bilhão. O principal ativo brasileiro é Vinícius Júnior, avaliado em € 150 milhões. O dado chama atenção porque o país segue como um dos maiores exportadores de talentos do mundo, mas perdeu espaço relativo na elite financeira das seleções.
A diferença está no ambiente de valorização. Jogadores que atuam nas principais ligas europeias tendem a ganhar peso de mercado mais rapidamente, impulsionados por contratos maiores, exposição internacional e capacidade de negociação dos clubes. Na prática, o ranking mostra que formar talento já não basta: o valor econômico depende cada vez mais de onde esse talento joga e de como é inserido no mercado global.
Entre as dez seleções mais valiosas também aparecem Holanda, com € 763 milhões; Argentina, com € 761 milhões; Bélgica, com € 558 milhões; e Turquia, com € 525,2 milhões. A Argentina, atual campeã mundial, surge apenas na oitava posição financeira, com Enzo Fernández como jogador mais valioso, avaliado em € 90 milhões. Já a presença da Turquia no top 10 é impulsionada por Victor Osimhen, estimado em € 75 milhões.
O levantamento reforça uma tendência incômoda para seleções tradicionais fora do eixo econômico mais forte da Europa: o prestígio histórico continua relevante, mas o poder financeiro do futebol está cada vez mais concentrado. No caso brasileiro, a sexta posição não significa falta de talento. Significa que o mercado passou a precificar esse talento em uma lógica dominada por clubes, ligas e vitrines europeias.

