Autoridade monetária vê queda de servidores e aumento das responsabilidades
O Banco Central enfrenta um cenário de forte pressão com menos servidores e mais atribuições. Segundo a Bloomberg News, o número de funcionários caiu 42% na última década, enquanto o total de instituições reguladas cresceu 50%. A crise do Banco Master expôs ainda mais a fragilidade da estrutura, levando parte dos servidores da supervisão a se aposentar ou deixar os quadros, temendo responsabilizações.
O sistema financeiro brasileiro se expandiu rapidamente, impulsionado por fintechs e bancos digitais, o que aumentou a complexidade da supervisão. Hoje, o BC regula cerca de 900 instituições, contra menos de 600 dez anos atrás. Para lidar com o crescimento, o regulador aposta em monitoramento remoto e tecnologia, mas ainda enfrenta desafios como riscos cibernéticos e governança.
A quebra do Banco Master, que gerou uma conta de R$ 52 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos, evidenciou brechas regulatórias e limitações legais. O BC não tem autonomia financeira e só pode intervir em bancos após crises de liquidez, o que reduz a capacidade de ação preventiva. O presidente Gabriel Galípolo chegou a afirmar em audiência pública que o órgão pede “socorro” para conseguir recursos e autonomia.
Além da supervisão, o BC acumula responsabilidades como a operação do Pix, que exige atenção constante. Recentemente, o regulador reforçou a equipe com 40 novos contratados, mas o treinamento completo leva até dois anos. Ainda assim, o número de supervisores por banco segue abaixo da média de outros países da América Latina.
O desafio é, conforme a Bloomberg News, com menos pessoas e mais atribuições, o Banco Central precisa modernizar processos e ganhar autonomia para evitar que novas vulnerabilidades se transformem em crises.
