Serviço de entregas rápidas reforça disputa por logística e expõe diferença de acesso a capital entre empresas locais e grupos globais
A chegada do Amazon Now ao Brasil deve intensificar a competição no comércio eletrônico, especialmente em categorias de consumo recorrente, como alimentos e itens essenciais. Com entregas prometidas em até 15 minutos, o serviço aumenta a pressão sobre varejistas nacionais que ainda operam com prazos mais longos e custos financeiros elevados.
Na avaliação do economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, a disputa é marcada por uma diferença relevante na capacidade de investimento entre empresas brasileiras e multinacionais.
“Se a Amazon precisar, consegue captar dinheiro nos Estados Unidos com taxas entre 4% e 5% ao ano. Empresas como Casas Bahia e Magalu enfrentam taxas de 17% no mínimo. É uma competição desigual”, afirma.
O custo do crédito limita os investimentos das redes locais em tecnologia, centros de distribuição e melhoria da experiência de entrega. Ao mesmo tempo, companhias globais conseguem ampliar sua presença no país com maior capacidade de absorver perdas e sustentar estratégias de longo prazo.
Segundo os dados apresentados no material, a Amazon investiu R$ 75 bilhões no Brasil em 15 anos, enquanto o Mercado Livre prevê aportes de R$ 57 bilhões até o fim de 2026. No primeiro trimestre, o Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões.
Para Mendlowicz, a logística express também altera a referência do consumidor sobre prazos de entrega. “O brasileiro está acostumado a comprar em redes como Magalu e Casas Bahia, com prazos que podem levar sete dias úteis ou mais. Aí vem uma empresa e diz: ‘Eu entrego em 15 minutos’. A concorrência inevitavelmente fica mais acirrada”, diz.
A expansão do modelo, porém, enfrenta obstáculos conhecidos no Brasil, como roubo de cargas, distâncias extensas e custos elevados para a abertura de centros de distribuição. Esses fatores dificultam a reprodução da mesma velocidade em todas as regiões do país.
A pressão competitiva também tem levado varejistas a adotar parcerias e compartilhar estruturas logísticas. Para o economista, o uso de plataformas de concorrentes por empresas locais mostra como a escala passou a ser decisiva no setor.
Mendlowicz avalia que as redes brasileiras precisarão acelerar investimentos em logística, tecnologia e eficiência operacional para evitar perda adicional de mercado para Amazon e Mercado Livre. “Ou as varejistas começam a se movimentar, ou essas empresas vão ampliar ainda mais o domínio sobre o e-commerce no Brasil”, afirma.
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