Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image
Scroll to top

Top

Nenhum comentário

Acabou a lua de mel entre Bolsonaro e o mercado?

Acabou a lua de mel entre Bolsonaro e o mercado?

O mercado foi às nuvens na reta final da campanha presidencial. Conforme as pesquisas foram deixando claro que Jair Bolsonaro despontava como favorito para levar o pleito, o Ibovespa foi acumulando ganhos. Em outubro, o índice avançou 10,19%, após ter subido 3,48% em setembro. A eleição do capitão reformado, que abraçou uma agenda econômica liberal durante a campanha, parecia indicar um novembro ainda mais próspero para os investidores. Mas não é exatamente isso o que tem ocorrido.

Após atingir sua máxima histórica na quinta-feira (1º) da semana passada e renová-la na última segunda (5), o Ibovespa engatou uma sequência negativa de três dias, operando com estabilidade na sexta (9), mas fechando a semana com queda de 3,14%, aos 85.641 pontos. E quais seriam as razões para este recuo? Por um lado, muitos investidores aproveitaram o período pós-eleição para realizar seus lucros – o índice caiu 2,24% um dia após o pleito. “Foi beneficiado quem entrou posicionado e investiu antes do resultado, que pegou aquele movimento positivo de setembro e outubro”, diz Álvaro Frasson, analista da corretora Spinelli.

Além desse movimento, o mercado está atento à formação da equipe econômica do novo governo e aos indícios de como será a relação com o Congresso, fundamental para aprovar as reformas propostas por Bolsonaro. “Os nomes que têm sido ventilados agradam, como o da Ana Paula Vescovi (atual secretária-executiva do Ministério da Fazenda) para a Caixa Econômica e do Mário Mesquita para o Banco Central”, analisa Frasson. Em contrapartida, medidas como o reajuste salarial concedido aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), aprovado pelo Senado na última quarta (7), são interpretadas como um recado dos parlamentares ao governo eleito. “Esse tipo de ação prejudica o ajuste fiscal que terá de ser feito. A questão que fica é a seguinte: mesmo que Bolsonaro nomeie pessoas capacitadas, isso vai garantir a aprovação das reformas?”, questiona.

Apesar do viés atual de baixa, a Spinelli projeta que o Ibovespa vai chegar até os 93 mil pontos ao final do ano, com a nomeação de figuras alinhadas à visão do mercado. Para 2019, uma subida além dos 100 mil pontos vai depender de ações concretas da administração Bolsonaro em prol do ajuste fiscal. “O mercado espera que a Reforma da Previdência seja resolvida no primeiro semestre do ano que vem. Acho que postergar para o segundo semestre pode azedar a relação com os investidores. Bolsonaro precisa aproveitar seu capital político logo no início do mandato”, completa Frasson.

Envie seu comentário