Relatório do Santander destaca estabilidade dos preços no Brasil, avanço de exportações e protagonismo de companhias brasileiras em novos projetos globais de celulose
O Santander avaliou que o setor latino-americano de papel e celulose atravessa um momento de pressão sobre margens, mas com sinais de sustentação de preços em alguns segmentos estratégicos, especialmente no Brasil. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (22), o banco destacou que produtores de embalagens estão tentando implementar reajustes diante da alta de custos logísticos, químicos e de transporte, enquanto a demanda global segue moderada.
No mercado brasileiro, o banco chamou atenção para a estabilidade dos preços de cartões utilizados em embalagens entre abril e maio. Segundo o Santander, os fabricantes locais optaram por reduzir produção em vez de cortar preços, em um ambiente de demanda fraca. Ainda assim, empresas anunciaram cartas de aumento entre 6,5% e 7% para junho. O relatório também destaca que a valorização do real elevou a competitividade do produto importado, aumentando a pressão sobre os produtores domésticos.
O documento aponta ainda que o Brasil segue como peça central na dinâmica global da celulose. Os preços da fibra curta na China recuaram para US$ 605 por tonelada, enquanto o diferencial entre celulose de fibra curta e longa caiu para US$ 56 por tonelada — 60% abaixo da média histórica de cinco anos. Apesar disso, o Santander observa redução dos estoques globais e melhora gradual nos embarques internacionais. Segundo o banco, cada variação de US$ 10 por tonelada no preço da celulose pode impactar entre 1,5% e 2% o Ebitda anual das empresas acompanhadas pela instituição.
Entre as companhias brasileiras, a Suzano aparece como um dos principais destaques do relatório. O Santander lembrou que a empresa inaugurou um novo centro de distribuição para produtos de higiene no Sul do Brasil e assinou um acordo logístico de cinco anos nos Estados Unidos para ampliar a distribuição de celulose na América do Norte. O banco também ressaltou os recentes aumentos de preços anunciados pela companhia para a celulose de eucalipto na Ásia, movimento acompanhado pela Eldorado e pela Klabin.
O Santander mantém recomendação “outperform” para as ações da Suzano e da Klabin, com preços-alvo de R$ 75 e R$ 29, respectivamente. O relatório também destaca a liderança brasileira na expansão global da capacidade de produção de celulose, citando projetos bilionários como o Cerrado, da Suzano, o Sucuriú, da Arauco, e futuras expansões previstas para Bracell e Eldorado.
