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A fatura da farra fiscal

Lucas Andrade
13 de julho de 2026
Relatório de gestão do fundo Verde alerta que o governo tem ampliado gastos sem discutir os impactos futuros

O fundo multimercado Verde, liderado por Luis Stuhlberger, encerrou junho com queda de 0,69%, mas acumulou alta de 7,02% no primeiro semestre de 2026, superando o CDI no período, que ficou em 6,85%. O desempenho mensal foi marcado por ganhos em hedges no cupom cambial e no trading de ações, mas pressionado por perdas em metais preciosos, juro real americano e bolsa brasileira.

O relatório de gestão do fundo destaca que o grande evento macro do mês foi a estreia de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve. Seu discurso inicial, curto e focado no combate à inflação, surpreendeu o mercado ao não sinalizar próximos passos da política monetária. A postura mais crítica levou investidores a precificar novas altas de juros, reforçando o chamado “Excepcionalismo americano” e impactando posições em metais e juros reais.

No cenário geopolítico, menciona a carta mensal, a assinatura de um memorando de intenções entre Irã e potências ocidentais trouxe alívio ao mercado de petróleo. O barril de Brent recuou 20,8% em junho, fechando a US$ 72,9, patamar pré-guerra. A queda dos preços é vista como positiva para o ambiente inflacionário global e para os mercados de juros.

No Brasil, junho foi marcado pela saída de fluxos estrangeiros e pelo aumento dos ruídos políticos à medida que o calendário eleitoral se aproxima. O mercado acionário segue voltado para empresas ligadas à inteligência artificial, deixando o país fora do radar. Enquanto isso, alerta o relatório do fundo, o governo intensifica medidas fiscais e parafiscais, ampliando gastos sem discutir os impactos futuros. Para o Verde, essa “farra fiscal” inevitavelmente apresentará sua fatura nos próximos anos.

O fundo aumentou marginalmente sua exposição em renda variável local via opções, manteve estável a alocação global e seguiu sem posições direcionais em renda fixa doméstica. Nos EUA, manteve aposta em juro real. Em moedas, continua alocado em ouro e prata, com redução na proteção de crédito da Arábia Saudita. A alocação de crédito local foi mantida.

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