Bolsa ainda oferece aos investidores gringos uma oportunidade atraente
O BTG Pactual avalia que o Brasil segue oferecendo oportunidades atrativas para investidores estrangeiros, mesmo diante da desaceleração do ciclo de cortes de juros. O país se beneficia por ser exportador líquido de petróleo, o que garante certa proteção em cenários de conflito no Oriente Médio, além de manter um caminho claro para redução das taxas de juros, ainda que em ritmo mais moderado. Outro fator relevante é a tendência de diversificação de investimentos para fora dos EUA, somada ao fato de que os múltiplos de valuation continuam descontados em relação à média histórica.
O banco fez ajustes em sua carteira 10SIM, reduzindo exposição aos grandes bancos tradicionais e incluindo a Totvs, que sofreu forte correção e hoje negocia com desconto frente à média histórica e à concorrente SAP. A estratégia segue equilibrada, com posições relevantes em petróleo e gás, energia, imóveis e indústria, além de empresas de fluxo de caixa de longo prazo.
Em abril, o Ibovespa teve desempenho inferior ao S&P 500 e a outros emergentes, reflexo da realização de lucros por estrangeiros, que venderam R$ 4,6 bilhões líquidos na última semana do mês. Ainda assim, no acumulado do ano, o Brasil registra alta de 28% em dólar, superando amplamente os principais índices globais e regionais. Os fluxos para mercados emergentes seguem fortes, com US$ 60 bilhões no ano, o maior nível em mais de duas décadas.
Apesar da volatilidade recente, o BTG Pactual reforça que as ações brasileiras continuam baratas para os estrangeiros. O Ibovespa negocia a 8,8x o P/L projetado para 12 meses, ou 10,4x quando excluídas Petrobras e Vale, patamar que representa desconto de 14% frente à média histórica.
Para investidores locais, menciona o banco, os juros reais elevados tornam os títulos públicos mais atraentes. Já para os estrangeiros, com custo de capital mais baixo e necessidade de alocação em ações, o Brasil permanece uma opção competitiva.
