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O CEO Improvável: Kirk Douglas

O CEO Improvável desta semana foi para o andar de cima no dia de ontem – o ator e produtor Kirk Douglas.  Filho de imigrantes russos de origem judaica, seu nome de batismo era Issur Danielovitch e partiu aos 103 anos de idade.

Douglas nasceu muito pobre e foi admitido na universidade por conta de seu físico atlético e de seu talento na luta greco-romana. Graças à colega de faculdade Lauren Bacall, conseguiu fazer um teste e, em seu primeiro filme, já atuou no papel principal. Foi indicado ao Oscar três vezes, mas nunca levou a estatueta para casa. Estrelou grandes sucessos do cinema e é reconhecido como um dos mais talentosos atores de sua geração.

Por que ele leva o título de CEO Improvável da semana? Antes de mais nada, pelo espírito empreendedor e pela vontade incessante de inovar. Numa época em que os atores eram contratados de grandes estúdios, Douglas resolveu abrir sua própria produtora, a Bryna Productions. Mas, antes de fundar sua companhia, havia um problema: era contratado pela Warner Bros. Como fez para se livrar da obrigação? Propôs rodar um filme sem salário, como uma espécie de compensação financeira para o estúdio. Que outro ator teria essa ideia nos anos 1950?

Um dos maiores sucessos da Bryna foi o filme “Spartacus”. Douglas se envolveu em todos os detalhes de sua produção. Demitiu o diretor original, Anthony Mann (El Cid), e contratou um talento promissor: Stanley Kubrick, que mais tarde passaria para a história como um dos maiores ícones da indústria cinematográfica. Para escrever a saga do escravo que se rebela contra os romanos, chamou o roteirista Dalton Trumbo, uma das vítimas do Macartismo, que sobrevivia redigindo obras sob vários pseudônimos. Sobre o senador Joseph MacCarthy, por sinal, disse: “Ele era um homem mesquinho que via comunistas em todo o lugar. Baniu todos os escritores que não obedeciam ao seu comando”. Apesar do grande talento de Trumbo, foi de Douglas a ideia da famosa cena em que os escravos começam a gritar, um a um, “I am Spartacus” – um dos momentos inesquecíveis da Sétima Arte.

Douglas insistiu em dar crédito ao trabalho de Trumbo, sem utilizar um nome falso,  e, com isso, acabou com a lista negra de Hollywood. Levou o filme para uma sessão particular na Casa Branca e persuadiu o presidente John Kennedy a enterrar a famigerada Black List.

Um de seus papéis mais marcantes foi em “A Montanha dos 7 Abutres”, um fracasso comercial. Nesta película, ele interpreta um repórter sem escrúpulos que se aproveita do caso de um homem preso numa caverna e estende propositadamente o resgate para escrever mais reportagens. O filme discute de forma soberba o sensacionalismo que move alguns veículos e profissionais de imprensa.

Douglas passou o gosto pela produção a seu filho, Michael, que também foi responsável por grandes momentos do cinema, como a película “Um Estranho no Ninho”, pela qual ganhou um Oscar. Seus últimos anos de vida foram prejudicados por um derrame e uma persistente dor nas costas, que ganhou após um acidente de helicóptero (foi o único sobrevivente).

Quando pediram para ele fazer um balanço de sua vida, ao completar 90 anos, ele afirmou: “Os Estados Unidos são um país onde todos, independente da raça, religião ou idade, têm uma chance. Eu tive essa chance. Eu amo este país porque vim de uma vida imersa na pobreza. Tive condições de chegar à faculdade e trabalhar como ator, que é o trabalho que adoro. Não há uma garantia de que você terá sucesso neste país. Mas você sempre terá a chance de obtê-lo”.

Aos treze anos, como reza a tradição judaica, fez seu bar mitzvah. E, aos poucos, foi se afastando de suas raízes espirituais. Aos 83, no entanto, resolveu passar novamente pelo mesmo ritual – e, após a cerimônia, se tornou um religioso fervoroso. Ultrapassou a marca de 100 anos com uma lucidez impressionante. Numa de suas últimas entrevistas, foi perguntado se ele tinha mudado após a fama. Respondeu assim: “Quando você se torna uma estrela, não muda em sua essência – são os outros que mudam radicalmente o comportamento que tinham em relação a você”.

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Comentários

Uma resposta

  1. Quando você se torna uma estrela, não muda em sua essência – são os outros que mudam radicalmente o comportamento que tinham em relação a você”

    Quase como quando você está sem emprego de renome…;-)

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Mônica.