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Quando o universo conspira a favor do sucesso

Bertrand Gachot. Poucos se lembram do nome deste piloto belga, que teve uma carreira breve na Fórmula-1, disputando provas em equipes pequenas e médias. Seu melhor resultado foi um quinto lugar, no Grande Prêmio do Canadá em 1991 (os fãs do automobilismo vão se lembrar dessa corrida: foi aquela que Nelson Piquet venceu após a Williams de Nigel Mansell, líder da prova, ter experimentado uma pane elétrica metros antes da bandeirada). Gachot também obteve um feito interessante, o de registrar a volta mais rápida no GP da Hungria do mesmo ano. Mas ele nunca foi exatamente um talento reconhecido ou uma grande promessa entre futuros campeões. Não. Esse piloto era igual a inúmeros outros, que entram e saem da maior categoria do esporte a motor sem que ninguém se lembre de seu nome.

Então, por que estamos falando dele e gastando o nosso tempo preciso?

Bertrand Gachot em 1991, quando era piloto da equipe Jordan de Fórmula-1

É que Gachot foi involuntariamente responsável pelo surgimento de uma das maiores carreiras do automobilismo, a do heptacampeão Michael Schumacher (imagem no topo do artigo). Em 1990, envolveu-se em uma briga com um motorista de táxi em Londres, levou um soco e revidou com uma baforada de spray de pimenta. O taxista o processou e Gachot foi condenado e preso. Por isso, não pôde disputar a corrida da Bélgica em 1991. A Mercedes, ao saber que haveria uma vaga na escuderia Jordan, que tinha o belga como contratado, alugou o carro por US$ 300 000 e o entregou a Schumacher. O alemão abandonou ainda na primeira volta, mas chamou a atenção de Flávio Briatore, que era chefe da equipe Benneton. Na corrida seguinte já era companheiro de equipe de Nelson Piquet e foi bicampeão entre 1994 e 1995.

Se não estreasse pela Jordan, provavelmente chegaria à F-1 por outro time, como a Sauber, que tinha ligações com a Mercedes, com quem tinha um contrato em outra categoria, a DTM. Evidentemente, Schumi poderia chegar ao heptacampeonato se entrasse na F-1 por outra porta – mas sua trajetória teria sido diferente da registrada nos anuários automobilísticos.

Os fãs das corridas ainda podem se lembrar de Bertrand Gachot. Mas, e o nome “Ivan Vaughan”? Ativa algum circuito de sua memória?

Vaughan era um rapaz britânico que, num fim de semana de julho de 1957, passou na casa de um companheiro da escola e o convidou para uma quermesse perto da casa de ambos. O colega não quis ir, mas Vaughan foi persistente e disse que outro amigo iria se apresentar lá com sua banda. Como os dois adoravam música, foram andando até o jardim da igreja Saint Peter e viram o show. Quando a banda terminou, Vaughan apresentou os dois amigos.

Foi a primeira vez que John Lennon e Paul McCartney apertaram as mãos. E se, naquele final de semana, Ivan Vaughan estivesse de castigo? Seus amigos se encontrariam e formariam a maior parceria do rock? Talvez sim, talvez não. O fato é que a mão invisível do destino levou o garoto a juntar dois compositores de mão cheia, que juntos trabalhavam até melhor do que sozinhos. Vaughan, ainda, teve outra participação especial nesta história de sucesso. Sua mulher, Jan, foi quem traduziu para o francês uma parte da letra de Michelle, um grande sucesso dos Beatles.

Paul McCartney, Ivan Vaughan e George Harrison em 1959

Mais uma história movida a coincidências?

Esta é mais famosa e envolve dois cientistas da 3M, Spencer Silver e Art Fry. Na década de 1960, Fry estava pesquisando uma supercola. Mas, acidentalmente, desenvolveu um adesivo bastante superficial, que parecia algo muito promissor – mas não tinha exatamente uma aplicação específica. Era o típico caso de uma solução em busca de um problema. Por isso, Silver conversou com praticamente todos os funcionários da empresa, em busca de um projeto no qual sua cola de baixa aderência pudesse ser utilizada. Durante anos, não achou ninguém.

Até que Fry, que cantava no coral de sua igreja, matou a charada. Ele marcava as páginas de seu livro de hinos religiosos com papeis avulsos, que se soltavam após o uso. Ele, então, pensou que se pudesse fabricar um pequeno papel com adesivo fraco resolveria esse problema. Lembrou-se da cola de Silver e lhe propôs uma parceria. O lançamento do novo produto foi em 1979. No início, não foi um grande sucesso. Depois, entretanto, o Post-it virou uma sensação nos escritórios e nas casas.

Spencer Silver e Art Fry no laboratório da 3M

Nessas três situações, o acaso se encarregou para ajudar estes personagens, que perceberam a grande chance que estava em frente e a agarraram. Quantos de nós percebem o momento em que o universo está conspirando em nosso favor? Poucos. Portanto, tocar a vida com atenção redobrada nos detalhes pode ser uma forma de aproveitar melhor as chances que surgem silenciosamente em nosso cotidiano. Mas, muitas vezes, os problemas do dia a dia nos desconectam com essas oportunidades.

Como disse Albert Einstein, “a coincidência é a maneira de Deus se manter anônimo”. O mesmo Einstein que disse: “A vida é a preparação para o futuro; e a melhor preparação para o futuro é viver como se não houvesse o amanhã”. Vamos colaborar com Deus, a sorte, o acaso ou o universo: prestemos atenção ao nosso redor. E não deixemos a grande oportunidade de nossa vida passar por nós.

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