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O home office de Castello Branco também incomoda você?

O presidente Jair Bolsonaro divulgou um vídeo no qual fez críticas ao ex-CEO da Petrobrás Roberto Castello Branco. Uma delas foi referente ao regime de home office do executivo, que “desde março não pisa na Petrobras” (palavras de Bolsonaro). A frase do presidente intrigou muita gente. Como assim? Quase um ano sem pisar no escritório? Isso pode funcionar?

Vamos lá. Eu não gosto de home office. Detesto. Gosto da agitação de pessoas, de um ambiente fervilhante de ideias e de conversas espontâneas – tudo o que não se obtém quando trabalhamos em casa. Sou assim. Talvez o presidente Jair Bolsonaro tenha esse traço de personalidade. E muitos dos críticos de Castello Branco também.

Um dos grandes problemas dos tempos atuais, porém, é a falta de empatia – aquela capacidade mágica de nos colocar no lugar dos outros e entender melhor o que se passa com as demais pessoas. O julgamento do estilo caseiro de Castello Branco talvez seja explicado pela ausência de afinidade e compreensão por parte de seus detratores.

É algo na linha “se não funciona para mim, não serve para ninguém”. Mas será isso mesmo? Home office é algo se serve apenas para pequenos negócios ou empresas de serviços? Quando falamos de um gigante que fatura bilhões de dólares, como a Petrobras, a prática do trabalho remoto não vale?

Há executivos que discordam desse desprezo ao escritório em casa. São eles Richard Branson (Virgin), Larry Ellison (Oracle) e Jeff Weiner (LinkedIn). Empresas como Yahoo! e Adobe, por exemplo, ainda não retomaram o expediente em suas sedes. E, mesmo antes da pandemia, já havia empresários que preferiam tocar seus negócios de suas residências. Um exemplo é Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o controlador do grupo CAOA.

Aquilo que não entendemos pode nos incomodar. Provavelmente seja o caso de Roberto Castello Branco. Como alguém pode gerir uma empresa tão grande pelo telefone ou pelo computador? Curiosamente, o mercado financeiro parecia estar gostando do estilo do ex-CEO da estatal (especialmente porque repassava as variações do mercado rapidamente à bomba de gasolina, privilegiando o acionista da companhia) e não via exatamente problemas de gestão.

Sob a batuta de Castello Branco, os resultados da empresa cresceram. Mesmo quando registrou um prejuízo de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre de 2020, em função de um ajuste contábil, a empresa mostrou uma Ebitda de R$ 37 bilhões, diante de uma receita líquida de R$ 75 bilhões. Recentemente, Castello Branco iniciou um processo de enxugamento na empresa, através de um programa de demissão voluntária, e conseguiu reduzir mais de 10 000 postos de trabalho. Iria retomar essa estratégia em 2021, pois queria reduzir o quadro em mais 6 000 cargos. Essas iniciativas não parecem vir de um gestor preguiçoso ou leniente.

Evidentemente, uma empresa do porte da Petrobras não funciona apenas na base do trabalho remoto. E seu presidente não deveria abandonar totalmente seu posto físico (ainda não ouvimos a versão de Castello Branco neste tópico, é bom ressaltar), dando ordens apenas pelos meios eletrônicos.

Mas boa parte dos funcionários das companhias está trabalhando em casa, indo ocasionalmente aos escritórios. Faz alguma diferença, neste cenário, encontrar o presidente da empresa fisicamente? Pode ser que não.

Neste caso em particular, Bolsonaro parece aquele sujeito que rompeu um relacionamento por um determinado motivo e, questionado pelos amigos, passou a reclamar até do barulhinho que a ex fazia ao mexer o cafezinho com a colher. Convenhamos: o home office de Castello Branco pode não ter ajudado a Petrobras, mas também não a atrapalhou. Para variar, o presidente não consegue deixar um assunto esmorecer e prefere requentá-lo através das redes sociais.

Isso me lembra aquela clássica pergunta sobre o que preferimos: ter razão ou ser feliz? Bolsonaro é daqueles que querem ter razão o tempo todo. E, por seu semblante carregado, é fácil perceber que ele não é uma pessoa feliz.

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