Concessionária fala em “reconstrução de rede” e cita danos severos causados pela queda de árvores; 1,5 milhão de imóveis amanheceram sem luz
A Enel voltou ao centro das críticas após o novo apagão que atingiu São Paulo nesta quarta-feira (10). Além de evitar estipular um prazo para o restabelecimento total da energia, a concessionária acumula um cenário já desgastado: mais de mil ocorrências por dia relacionadas à falta de luz no estado ao longo de 2025.
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foram 328.091 ocorrências de janeiro a outubro deste ano, média de 1.079 por dia — o maior volume desde 2019, primeiro ano da empresa no estado, superado apenas por 2024, quando houve mais de 357 mil registros.
A sequência de falhas reacendeu questionamentos sobre a capacidade da concessionária de responder a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes.
Até 2 milhões sem luz após rajadas de 100 km/h
O ciclone extratropical que avança pelo Sul do país provocou ventos de quase 100 quilômetros horários na Grande São Paulo, derrubando árvores, destruindo postes e deixando até 2 milhões de imóveis sem energia na quarta-feira (10). O impacto afetou também o abastecimento de água em alguns bairros.
A Prefeitura de São Paulo acionou a Aneel e criticou o número de veículos da Enel que permaneciam parados nas garagens durante o apagão. Imagens captadas pela Rede Globo sobre o pátio da concessionária na região da Luz comprovam as críticas. A gestão municipal relembrou episódios anteriores — como os apagões de novembro de 2023 e outubro de 2024 — que deixaram moradores dias sem abastecimento e colocaram a resposta operacional da concessionária sob forte questionamento.

Em nota, a empresa afirmou que 1.300 equipes atuaram ao longo do dia para tentar restabelecer o fornecimento para os cerca de 2 milhões de clientes afetados.
“Reconstrução de rede” e sem estimativas
Mesmo assim, na manhã desta quinta-feira (11), 1,5 milhão de imóveis seguiam sem energia; só a capital registrava mais de 1 milhão de unidades apagadas.
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), há mais de 200 semáforos sem funcionamento, o que ajuda a gerar um grande congestionamento de veículos. No início da manhã havia registro de 97 quilômetros de engarrafamentos e retenções no trânsito.
Houve 100 voos atrasados ou cancelados nesta quinta. Congonhas amanheceu com 31 chegadas e 15 partidas suspensas. Em Guarulhos, só nesta quinta pelo menos 15 partidas e 39 chegadas tinham sido canceladas. Ontem foram 244 voos.
Os parques da cidade, que foram todos fechados pela prefeitura ontem, foram reabertos nesta manhã.
Em entrevista à BandNews TV, o diretor regional da Enel, Marcelo Puertas, disse que não há previsão para normalização completa do sistema. Ele explicou que os danos estruturais exigem uma operação mais complexa que simples reparos.
“Não estamos falando de emendar um fio. Estamos falando de reconstruir uma rede”, afirmou. “É difícil precisar quanto tempo vai levar.”
Puertas descreveu postes de 1,5 tonelada, necessidade de guinchos e dificuldades logísticas para deslocamento de maquinário pesado em ruas bloqueadas por árvores caídas.
Regiões mais afetadas
Segundo balanço da Enel, os bairros com mais ocorrências no momento incluem:
- Ipiranga
- Jabaquara
- Vila Prudente
- Vila Andrade
- Campo Limpo
- Bairro do Limão
Empresa diz ter reforçado equipes
Pressionada por consumidores e autoridades, a concessionária afirma ter aumentado o contingente desde crises anteriores. Hoje, disse Puertas, há 1.600 equipes, totalizando cerca de 3 mil profissionais nas ruas.
A empresa também alega ter investido em automação e no envio de “motoeletricistas” para dar rapidez ao diagnósticos. No entanto, reconhece que, diante da necessidade de reconstrução física — troca de postes e cabos — a tecnologia de manobra remota tem alcance limitado.
Por ora, os paulistas seguem sem prazo definido para a retomada integral da energia.

Respostas de 2
Estamos sem energia a 24 horas e nada da Enel ligar a luz, os fios estão caído na via ontem veio uma equipe no local viu só isolou o e foi embora. O ano passado no mês outubro/24 aconteceu a mesma coisa ficamos 14 dias sem energia, para voltar tivemos que chamar a reportagem.
Estamos sem energia desde de ontem e não tem data pra voltar e a comida estragando na geladeira. Desde do ano passado eles e a prefeitura tinham que ter cortado as árvores que caíram nas redes elétricas mais ninguém fez nada