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Brigas fake no Roda Viva viram isca de golpe com IA

Da redação
13 de junho de 2026
Publicações simulam discussões que nunca aconteceram no programa da TV Cultura e direcionam usuários para páginas falsas de investimento

Vídeos e imagens falsas atribuídos ao programa Roda Viva, da TV Cultura, passaram a circular nas redes sociais, especialmente no X, antigo Twitter, entre o fim de maio e o início de junho. O material, criado com uso de inteligência artificial, simula discussões e brigas em entrevistas que nunca aconteceram e é usado como isca para aplicar golpes financeiros.

As publicações falsas mostram supostos convidados do programa em situações de conflito, com aparência realista o suficiente para despertar a curiosidade dos usuários. Ao clicar no botão de “play” ou no link da postagem, a vítima não é levada a um vídeo, mas a páginas fraudulentas que imitam a identidade visual da TV Cultura.


O esquema tenta dar aparência de credibilidade ao conteúdo ao usar a marca do Roda Viva, um dos programas de entrevistas mais conhecidos do país. Em seguida, o usuário é conduzido a uma falsa oportunidade de investimento, com promessas de ganhos elevados e rápidos.

Um dos casos desmentidos envolve a jornalista Vera Magalhães e Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual. Publicações enganosas afirmavam que os dois teriam discutido durante uma suposta edição do programa após a apresentação de um aplicativo de investimentos. A informação é falsa: Sallouti nunca participou do Roda Viva, e não há registro de qualquer discussão entre ele e a jornalista no programa.


Segundo checagem, a imagem da suposta discussão foi criada por inteligência artificial. A ferramenta SightEngine, especializada em detectar manipulações digitais, apontou 99% de probabilidade de o conteúdo ter sido gerado por IA.

O golpe também foi denunciado pelo influenciador Raul Sena, fundador do Grupo Investidor Sardinha e da AUVP Capital, que chamou o esquema de “Golpe do Roda Viva”. De acordo com ele, as páginas falsas apresentam entrevistas fictícias e levam o usuário a uma plataforma chamada NeoCapital.

“É mentira, essa entrevista nunca aconteceu. É toda uma conversa que te leva para essa história de NeoCapital. Daí, quando você clica, é um golpe”, afirmou Sena, em publicação nas redes sociais.

Segundo o influenciador, o sistema pede dados pessoais e induz a vítima a fazer um depósito. Em uma das páginas fraudulentas, os golpistas afirmam que uma pessoa teria começado investindo R$ 1.050 e alcançado R$ 24 mil. A promessa, no entanto, faz parte da fraude.

Além das imagens manipuladas, o esquema usa comentários falsos para reforçar a sensação de legitimidade. A estratégia busca explorar a confiança do público em marcas conhecidas e em formatos jornalísticos reconhecidos, como o Roda Viva.

A TV Cultura se manifestou sobre o caso na última quinta-feira (4), por meio de comunicado publicado nas redes sociais. A emissora afirmou que atua “contra fake news criadas com inteligência artificial e uso indevido de seus conteúdos”.


“A instituição não aprova a utilização e a alteração de suas propriedades intelectuais, por meio de Inteligência Artificial, para a criação deliberada de conteúdo enganoso e a exposição inapropriada de seus jornalistas, apresentadores e colaboradores”, afirmou a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura.

A emissora informou ainda que tem notificado plataformas digitais quando identifica o uso irregular de suas marcas ou a associação não autorizada de seus conteúdos a publicações falsas. Caso as providências solicitadas não sejam adotadas, a Fundação afirma que poderá recorrer a medidas jurídicas para proteger sua imagem institucional.

O caso reforça a preocupação com o uso de inteligência artificial em crimes digitais. Ao criar cenas realistas envolvendo veículos de comunicação conhecidos, os golpistas ampliam o poder de convencimento das fraudes e aumentam o risco de prejuízo financeiro às vítimas.

Especialistas em segurança digital recomendam atenção redobrada diante de publicações sensacionalistas, especialmente quando envolvem promessas de ganhos rápidos, supostos aplicativos milagrosos de investimento ou links externos disfarçados de vídeos. A orientação é verificar sempre o endereço do site, desconfiar de rentabilidades elevadas e checar se o conteúdo foi publicado nos canais oficiais da emissora ou do programa citado.

Quem cair em um golpe deve registrar boletim de ocorrência, entrar em contato com o banco ou a operadora do cartão para tentar bloquear ou reverter a transação e formalizar reclamação nos órgãos de defesa do consumidor.

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