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37,9% das rodovias estão em boas ou ótimas condições

Da redação
17 de dezembro de 2025
Pesquisa da CNT constatou melhora no estado geral da malha viária brasileira, ao avaliar 114.197 quilômetros de trechos pavimentadas

Levantamento divulgado nesta quarta-feira (17) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra um aumento na proporção de trechos classificados como ótimos ou bons e redução nos trechos ruins ou péssimos. De acordo com a análise, 37,9% da extensão pesquisada (43.301 km) está em condições ótimas ou boas, ante 33% de 2024 (36.814 km), representando um avanço de quase 5 pontos percentuais. Os trechos avaliados como ruins ou péssimos caíram de 26,6% (29.776 km) para 19,1% (21.804 km), uma redução de 7,5 pontos percentuais. A categoria regular manteve proporção semelhante, com 43% (49.092 km) neste ano, frente a 40,4% (45.263 km) em 2024.

A classificação do estado geral das rodovias brasileiras considera as três principais características da malha rodoviária: pavimento, sinalização e geometria da via. São avaliadas variáveis como condições do pavimento, das placas, do acostamento, de curvas e de pontes.

“Esta edição comprova que investimentos em infraestrutura geram resultados concretos. Reconhecemos os avanços recentes e os esforços do poder público para ampliar e qualificar a malha rodoviária brasileira. Já é possível perceber uma retomada no ritmo necessário de investimentos, mas é fundamental mantê-lo e ampliar ainda mais os recursos destinados ao setor”, afirma o presidente do Sistema Transporte da CNT, Vander Costa.

Aumento de concessões e recursos direcionados

Ao detalhar os percentuais por tipo de gestão, a pesquisa revela redução significativa dos trechos ruins em rodovias concedidas e públicas. Entre as rodovias concedidas, apenas 618 km receberam essa classificação em 2025, ante 1.609 km em 2024, uma queda de 61,6%. Nas rodovias públicas, a redução foi de 23,3%, passando de 21.630 km para 16.594 km.

O avanço registrado no estado geral em 2025 se reflete em mais segurança e conforto aos transportadores e usuários das vias. Entre os fatores, estão a expansão das concessões e o melhor direcionamento de recursos na malha pública. “As concessões realizadas em 2025 foram decisivas para melhorar a qualidade das rodovias brasileiras. Elas trouxeram investimentos em manutenção e modernização, aumentando a segurança e o conforto dos usuários. Esse modelo complementa os esforços do poder público e garante vias melhores para o desenvolvimento do país”, afirma Costa.

De acordo com a CNT, a continuidade desse movimento depende de investimentos regulares e planejamento de longo prazo. Soluções tecnológicas e construtivas, como pavimentos mais duráveis e resilientes e o uso do Building Information Modeling (BIM), podem elevar a eficiência logística e consolidar uma malha rodoviária moderna e sustentável.

Nas rodovias sob gestão pública, 64,4% apresentam algum problema no pavimento, levando, em média, a um aumento de custos operacionais de até 35,8%. Nas rodovias concedidas, 34,4% apresentam algum tipo de irregularidade no pavimento, o que resulta em um aumento médio nos custos operacionais para os transportadores de até 18,4% em relação ao pavimento ótimo

A má qualidade do pavimento gera desperdício anual estimado em R$ 7,2 bilhões somente com o consumo adicional de diesel, que é da ordem de 1,2 bilhão de litros. O valor é suficiente para financiar soluções de baixo carbono, como aquisição de caminhões elétricos, produção de combustíveis renováveis e ações de reflorestamento.

Na segurança viária, o efeito da infraestrutura deficiente é ainda mais grave. Entre janeiro de 2016 e julho de 2025, foram registrados 697.435 acidentes nas rodovias federais monitoradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), com custo econômico acumulado estimado de R$ 149,67 bilhões. Esse valor inclui atendimentos de emergência, perdas de cargas, danos aos veículos e impactos sociais. Os resultados reforçam a importância de manter o ciclo de investimentos e assegurar um padrão mais elevado de conservação, reduzindo custos, emissões e riscos para empresas transportadoras e os demais usuários das vias.

Menos riscos na pista

A Pesquisa CNT de Rodovias registrou queda no volume de pontos críticos, que passaram de 2.446 em 2024 para 2.144 em 2025, indicando melhora na segurança viária. A maioria das ocorrências ainda está relacionada a buracos grandes, mas houve redução também em erosões, quedas de barreira e outros problemas graves. A tendência reforça que os investimentos recentes começam a gerar resultados positivos na conservação das rodovias.

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