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“Wecrashed” mostra uma lista de tudo o que o empreendedor precisa evitar

“Wecrashed” é uma série que prende atenção do início ao final da primeira temporada (ao ar pela Apple TV+). Foi lançada em março, mas só consegui segui-la nos últimos dias. O elenco estelar com boas atuações (Jared Leto e Anne Hathaway nos papéis principais), ritmo frenético e enredo baseado em uma história real são essenciais para prender a atenção do espectador.

O fio condutor do enredo é o surgimento da Wework, a maior empresa de coworking do mundo, fundada por Adam Neumann e sua esposa, Rebekah Paltrow Neumann (sim, ela é prima de Gwyneth Paltrow). O empreendimento chegou a valer US$ 47 bilhões e naufragou fragorosamente após uma tentativa fracassada de abrir o capital. Os fundadores se retiraram no empreendimento, que vale hoje bem menos do que em 2019. Mas vale a pena acompanhar essa trajetória, pois muitas vezes os fracassos têm a oferecer lições mais interessantes que os sucessos.

São vários s fatores que explicam a derrocada da empresa. Mas fiquemos em cinco deles:

Vaidade sem limites – obviamente, a ficção exagera a realidade. Mas, neste caso, a vaidade da dupla do casal de fundadores extrapola qualquer limite e passa longe do que poderia ser saudável ou desejável. Adam e Rebekah vivem em um mundo da fantasia e a empresa acaba sendo um trampolim para que o ego da dupla seja constantemente inflado.

Falta de um talento específico (ou quando a consistência é substituída por uma boa lábia) – logo no início do seriado, vemos que Neumann vende acessórios para bebês e tenta encontrar uma boa ideia para empreender. Finalmente coloca o conceito de coworking para rodar e consegue atrair o interesse de investidores diversos. Mas ele é um bom vendedor de ideias. Só isso.

Modelo de negócios sem lucros – investidores aceitam comprar participação de mercado e perder dinheiro por um determinado tempo. Mas não conseguem fazer um voo cego se não houver nenhuma perspectiva de lucro. Foi o que acontecia com a Wework. A única forma de manter a empresa viva era captar mais dinheiro para fazer frente a um prejuízo diário que chegou à marca de US$ 2,8 milhões. O fracasso, dessa forma, era uma questão de tempo.

Empresa vira um meio para bancar a riqueza pessoal – usar o próprio empreendimento para financiar um estilo de vida regido pela ostentação é algo que nunca termina bem. Investidores, clientes, funcionários – a lista de pessoas insatisfeitas com esse comportamento será enorme. Foi exatamente isso que o casal Neuman fez com sua companhia.

Investidores lenientes ou irresponsáveis – são raros, mas existem. Principalmente em tempos de bolha e de excessiva liquidez. O que podemos observar na série é a combinação de duas powerhouses de venture capital em momentos de irresponsabilidade total. Quando acordaram de vez para o problema, era tarde demais.

Adam Neumann é um encantador de serpentes de primeira. E foi idolatrado por muitos empreendedores, enxergado como visionário e ícone da economia digital. A queda veio rápido, motivada pela arrogância. Todas as empresas que vão abrir seu capital lançam um prospecto (S-1, no jargão financeiro) com a análise financeira da companhia, mostrando o potencial de investimento, mas também alertando para os eventuais desafios. O casal fundador resolveu ignorar essa tradição e mandar um livreto com fotografias e textos que refletiam uma filosofia utópica de trabalho.

A ideia pretensamente inovadora foi massacrada pela comunidade financeira, ferindo de morte o IPO da empresa, que previa atingir os US$ 60 bilhões e obteve apenas US$ 2 bilhões. Neumann amargou um dos maiores fracassos já vistos em Wall Street e teve de deixar seu posto de CEO. Negociou bem sua saída, com os bolsos cheios, mas teve a reputação manchada eternamente. Dificilmente conseguirá retomar o prestígio de antes – e, se o fizer, será a bordo de um projeto com densidade e solidez, sem ataques extremos de presunção.

Em maio, ele anunciou sua volta à ribalta. A ideia da vez é vender créditos de carbono através de tokens criados com a tecnologia blockchain em uma empresa chamada Flowcarbon. Para isso, Neumann levantou US$ 70 milhões através da 16z, afiliada ao fundo Andreesen Horowitz (um dos nomes mais respeitados no mundo das startups).

Será que ele aprendeu com os erros do passado? Ou teremos uma temporada de “Wecrashed” dedicada a essa nova iniciativa?

Com a palavra, os produtores da Apple TV+.

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