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Será que troco o meu nome por “Julinho da Adelaide”?

Em plena ditadura militar, a censura era rigorosa e inclemente. Letras que demonstravam claramente qualquer tipo de militância política passaram a ser proibidas. Os compositores, então, começaram a criar metáforas e imagens para falar da repressão. Assim, uma canção como “Apesar de você”, de Chico Buarque, que parecia ser sobre uma briga de namorados, ganhava outra conotação quando se percebia que era uma letra sobre a esperança no final do regime ditatorial. Os censores, então, ficaram mais espertos e passaram a pecar por excesso em relação ao próprio Chico.

Quase todas as letras produzidas por ele em um determinado momento acabaram sendo censuradas. Foi quando ele teve a ideia de submeter suas obras à censura com um pseudônimo: Julinho da Adelaide.

Duas canções se destacaram nesse período. Uma é “Acorda, Amor”, uma parábola sobre os militantes políticos que eram presos em suas casas durante a madrugada (disfarçada na história de um malandro que pede à mulher que “chame um ladrão” para ir preso no lugar ele). Outra é “Jorge Maravilha”, que foi imortalizada pelo refrão: “Você não gosta de mim/Mas sua filha gosta”. Durante muito tempo, acreditou-se que a letra foi feita para o general e ex-presidente Ernesto Geisel, já que sua filha, Amalia Lucy, tinha dito em uma entrevista que era fã de Chico Buarque (versão essa sempre negada pelo autor).

Julinho da Adelaide teria um futuro promissor durante a ditadura. Mas o Jornal do Brasil, em reportagem de 1975, revelou que Julinho era, na verdade, Chico. Por conta deste artigo, os censores passaram a exigir cópias dos documentos dos autores das canções a eles submetidas. E Chico Buarque voltou a ter dificuldade para aprovar as suas letras.

A saga de Julinho da Adelaide me veio à cabeça ao longo desta semana, quando tive três artigos retirados do ar por uma determinada rede social. A justificativa foi a seguinte: “parece que você tentou obter curtidas, seguidores, compartilhamentos ou visualizações de vídeos de maneira enganosa”.

Bem, tudo o que fiz foi manifestar minha opinião sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva – em especial, a sua capacidade de causar instabilidade no mercado financeiros com declarações desastradas. Opinião é opinião. Pode-se concordar com os argumentos de um articulista ou não. Mas dizer que um texto opinativo é enganoso? Parece um tremendo exagero.

O fato de os três artigos terem um conteúdo crítico é um indicador que a tecnologia algorítmica não gosta de polêmicas envolvendo o governo. Muitos amigos acreditam, porém, que esse movimento é um ato de censura e que estamos vivendo em uma ditadura.

Não chego a tanto. Não podemos comparar o momento atual com aquele vivido nos anos 1960 e 1970, quando havia censores nos prédios dos principais veículos de comunicação e todas as obras artísticas tinham de ser submetidas às autoridades antes de seu lançamento comercial. Mas o cancelamento desta rede social mostra que existe uma má vontade (tecnológica ou não) contra quem resolva tecer críticas dirigidas às autoridades constituídas.

Inconformado, com a situação, fiz uma pesquisa e vi que não há registro para o site www.julinhodaadelaide.com.br . Estou cogitando montar um espelho de MONEY REPORT neste endereço e publicar meus textos na rede social através dessa URL. Será que terei sorte e enganarei o algoritmo? Direi a resposta dentro de alguns dias.

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