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Por que não valorizamos nossos indígenas como os mexicanos fazem?

Aluizio Falcão Filho
23 de julho de 2022

Estive no México durante parte das minhas férias e pude perceber como a sociedade mexicana dá importância às civilizações pré-colombianas no país. Astecas, Maias e Toltecas estão presentes na cultura local neste século 21. Vários nomes de locais e de empreendimentos imobiliários (um mercado que explode por lá) são tirados de dialetos já extintos. A simbologia desses povos antigos também está presente no dia a dia – muitos logotipos de empresas são, por exemplo, baseados nas obras de arte realizadas antes do descobrimento da América, em 1492. Quase todos os cidadãos do país conseguem recitar de cor a história ancestral de seu país, seus principais personagens e acontecimentos mais marcantes.

Existe um orgulho do povo mexicano por seus ancestrais nativos. Por que não fazemos o mesmo com os nossos índios?

Talvez porque astecas e maias tenham criado monumentos superlativos e obtido grandes avanços nos campos da ciência e da matemática. Claramente foram uma civilização à frente dos nossos tupis-guaranis – e isso faria uma boa diferença no reconhecimento deste passado pré-colonização.

Mas será isso mesmo ou puro preconceito contra uma minoria?

No México, 60% da população é formada por mestiços de origem hispânica e indígenas, além de 29 % de índios. Somente 11 % têm como descendentes brancos de sangue totalmente europeu. No Brasil, estamos na outra ponta: apenas 0,5 % da população pode ser chamada de indígena.

Esses números fazem toda a diferença. Para nove em cada dez mexicanos, exaltar uma civilização pré-colombiana é importantíssimo, dada a origem destes cidadãos. Aqui no Brasil acontece o contrário. Apenas um em cada 200 pode se identificar e enxergar com carinho o nosso retrospecto ameríndio.

Vivemos tempos nos quais queremos cada vez mais nos reconectar com a natureza e preservá-la. A sabedoria milenar dos índios brasileiros nos ajudaria em muito a trilhar esse caminho. Além disso, muitos mitos e lendas tupis são belíssimas em suas metáforas e significados – e, neste contexto, seria inestimável saber como as tribos do passado interpretavam fenômenos da ciência que ocorriam na floresta.

Por enquanto, vamos utilizando palavras no dia a dia sem perceber que sua origem está nos dialetos falados por nossos índios. No universo gastronômico, por exemplo, são as seguintes: abacaxi, mandioca, moqueca, paçoca e pipoca. Outros termos muito comuns em nosso vocabulário: capenga, carioca, catapora, catupiry, gambá, pindaíba, siri e xará. E as cidades? Araraquara, Botucatu, Itaquaquecetuba, para ficar em alguns. Localidades em São Paulo? Anhangabaú, Ibirapuera, Tatuapé… Temos, queiramos ou não, um DNA índio entranhado em nossa sociedade. Mas o deixamos de lado para parecermos mais evoluídos.

Enquanto não entendermos a cultura deste povo, que se amalgamou com os costumes portugueses nos primeiros anos vida da nova colônia, não vamos compreender totalmente a nossa nação. Para o bem e para o mal. É hora de mergulharmos mais nessa cultura e compreendermos melhor, sem preconceitos ou ideologias, a nossa origem como país.

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Comentários

Uma resposta

  1. Prezados Amigos : A maior parte dos brasileiros tem algum DNA indígena. Isto é mais perceptível no fenótipo do Norte do Brasil (Amazônia); partes do Centro Oeste; Nordeste e litoral do Sudeste (Caiçaras) mas mesmo no Sul do Brasil, Minas Gerais que talvez sejam com menor participação de DNA os indígenas estão presentes na formação étnica. Geralmente pelo lado materno !.

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