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Por que não valorizamos nossos indígenas como os mexicanos fazem?

Estive no México durante parte das minhas férias e pude perceber como a sociedade mexicana dá importância às civilizações pré-colombianas no país. Astecas, Maias e Toltecas estão presentes na cultura local neste século 21. Vários nomes de locais e de empreendimentos imobiliários (um mercado que explode por lá) são tirados de dialetos já extintos. A simbologia desses povos antigos também está presente no dia a dia – muitos logotipos de empresas são, por exemplo, baseados nas obras de arte realizadas antes do descobrimento da América, em 1492. Quase todos os cidadãos do país conseguem recitar de cor a história ancestral de seu país, seus principais personagens e acontecimentos mais marcantes.

Existe um orgulho do povo mexicano por seus ancestrais nativos. Por que não fazemos o mesmo com os nossos índios?

Talvez porque astecas e maias tenham criado monumentos superlativos e obtido grandes avanços nos campos da ciência e da matemática. Claramente foram uma civilização à frente dos nossos tupis-guaranis – e isso faria uma boa diferença no reconhecimento deste passado pré-colonização.

Mas será isso mesmo ou puro preconceito contra uma minoria?

No México, 60% da população é formada por mestiços de origem hispânica e indígenas, além de 29 % de índios. Somente 11 % têm como descendentes brancos de sangue totalmente europeu. No Brasil, estamos na outra ponta: apenas 0,5 % da população pode ser chamada de indígena.

Esses números fazem toda a diferença. Para nove em cada dez mexicanos, exaltar uma civilização pré-colombiana é importantíssimo, dada a origem destes cidadãos. Aqui no Brasil acontece o contrário. Apenas um em cada 200 pode se identificar e enxergar com carinho o nosso retrospecto ameríndio.

Vivemos tempos nos quais queremos cada vez mais nos reconectar com a natureza e preservá-la. A sabedoria milenar dos índios brasileiros nos ajudaria em muito a trilhar esse caminho. Além disso, muitos mitos e lendas tupis são belíssimas em suas metáforas e significados – e, neste contexto, seria inestimável saber como as tribos do passado interpretavam fenômenos da ciência que ocorriam na floresta.

Por enquanto, vamos utilizando palavras no dia a dia sem perceber que sua origem está nos dialetos falados por nossos índios. No universo gastronômico, por exemplo, são as seguintes: abacaxi, mandioca, moqueca, paçoca e pipoca. Outros termos muito comuns em nosso vocabulário: capenga, carioca, catapora, catupiry, gambá, pindaíba, siri e xará. E as cidades? Araraquara, Botucatu, Itaquaquecetuba, para ficar em alguns. Localidades em São Paulo? Anhangabaú, Ibirapuera, Tatuapé… Temos, queiramos ou não, um DNA índio entranhado em nossa sociedade. Mas o deixamos de lado para parecermos mais evoluídos.

Enquanto não entendermos a cultura deste povo, que se amalgamou com os costumes portugueses nos primeiros anos vida da nova colônia, não vamos compreender totalmente a nossa nação. Para o bem e para o mal. É hora de mergulharmos mais nessa cultura e compreendermos melhor, sem preconceitos ou ideologias, a nossa origem como país.

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