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Os novos efeitos do home office entre executivos e empresários

Um dos grandes legados deste período pandêmico foi a aceitação do home office e de horários flexíveis de trabalho em praticamente todas as empresas. Dias atrás, conversava com quatro nomes de expressão em um webinar promovido por MONEY REPORT. Estavam na sala virtual Antonio Carlos Pipponzi, chairman da Raia Drogasil, Marco Stefanini, fundador da Stefanini, Daniel Randon, CEO da Randon, e Cláudia Papa, vice-presidente da Generali.

Falávamos sobre como as empresas estavam reagindo ao marasmo econômico imposto pelas questões sanitárias, quando Cláudia perguntou aos colegas de debate como a pandemia os estava afetando do ponto de vista pessoal. Todas as respostas giraram em torno do mesmo assunto: os presentes disseram que mudaram o jeito através do qual enxergavam o jeito de trabalhar e que essa mudança havia sido provocada por alguns meses de home office.

Curiosamente, todos os membros do painel tinham sido, até o passado recente, workaholics assumidos. E se orgulhavam de nunca ter faltado a um dia de trabalho, indo ao escritório mesmo doentes. Um deles até se tocou que, ao trabalhar gripado e com febre, passava o vírus pelo ar-condicionado e contaminava boa parte dos colegas de empresa.

Hoje, depois de um bom tempo trabalhando de casa – alguns até na praia ou no campo – os executivos percebem uma mudança gigantesca em suas rotinas, sem necessariamente trazer prejuízo em seus resultados. Boa parte das empresas já retoma as atividades presenciais, é verdade, mas a conclusão que se chega é que boa parte da rotina pode ser administrada à distância.

O trabalho remoto, mesmo restrito a alguns dias por semana, traz benefícios tangíveis e intangíveis a seus praticantes. Um deles é estreitar os laços de proximidade com a família – uma queixa constante entre empresários e diretores de empresas, que chegavam cedo e saíam tarde de seus escritórios. Agora, a possibilidade de compartilhar as refeições com a família cria maior união entre pais e mães, filhos e filhas. Há também outras vantagens: não se perde tempo no trânsito e, com isso, boa parte do estresse foi embora.

Conheço várias pessoas que estão há mais de um ano trabalhando em casa e perfeitamente adaptados ao novo cotidiano.

Com várias pessoas baseadas em suas casas, o sistema de trabalho passou a ser o de uma espécie de caos organizado. A hierarquia e a cobrança de resultados tiveram de se adaptar aos novos tempos e às demandas de uma nova geração que tem dificuldades em lidar com as críticas dos mais velhos.

Muitos dos veteranos sofreram ao ter de abrir mão de sua rotina fora de casa e até de certos rituais típicos do escritório, como a conversa casual, para desanuviar, na cafeteria da empresa. Agora, a maioria das interações se dá no ambiente virtual. No início, não havia muito espaço para a conversa fiada. Hoje, porém, já se percebe que a etiqueta das videoconferências já deixou de ser tão formal como no primeiro semestre de 2020. As pessoas se sentem mais confortáveis neste meio de comunicação e passam mais segurança aos interlocutores.

Após a vacinação, boa parte dos escritórios voltará a abrir suas portas e teremos de reaprender como será conviver com os outros em um ambiente físico que é comum a todos. Ao mesmo tempo, muitos vão sentir falta da proximidade da família.

Mas, como será o day after da pandemia, quando as empresas reabrirem as portas integralmente? Viveremos um momento de readaptação. Especialistas em recursos humanos acreditam inclusive em uma transição lenta e gradual da atividade em escritórios – com uma quantidade razoável de colaboradores ficando em home office durante boa parte da semana.

Neste momento, teremos de ter paciência. Haverá pessoas com crises de ansiedade, outras depressivas e várias em estado de euforia. Cada um vai reagir de uma forma e não será hora de grandes cobranças, sob pena de se perder talentos importantes. Se os adeptos da Velha Escola de comportamento executivo, no atual momento, estão achando tudo muito solto e sem disciplina nesses tempos de escritório em casa, devem esperar até a retomada do trabalho físico. Certamente haverá dificuldades até que todos se reajustem.

Ainda não sabemos qual será a melhor forma de acolher esses colaboradores com dificuldades. Mas teremos de exercer uma tolerância razoável. As pessoas estão emocionalmente em frangalhos, desgastadas pelo estresse provocado pela pandemia. Muitos enfrentaram doenças e mortes em suas famílias e esse trauma deve influir no comportamento dos nossos colegas. Vamos precisar de flexibilidade e equilíbrio para lidar com esses problemas. O ato de gerenciar pessoas, que já está complicado, vai ficar ainda mais difícil. Trata-se de um desafio que irá tornar delicado o equilíbrio mental dos escritórios. Assim, a grande vantagem competitiva nas empresas, durante muito tempo, será um ambiente inclusivo e acolhedor – acima da remuneração e dos benefícios. Será um período difícil, mas vai separar o joio do trigo e fazer despontar uma nova geração de empresas de sucesso.

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