O senador Flávio Bolsonaro sofreu um desgaste evidente com a divulgação das mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em especial um áudio no qual é possível perceber uma certa proximidade entre os dois. Duas pesquisas já mostraram uma forte queda nas intenções de voto e agora o temor da direita é o de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito.
Com a ascensão rápida de Flávio nas pesquisas, chegando até a liderança numérica nas enquetes, a direita fez uma espécie de “all in” na candidatura do senador e deixou de levantar outras possibilidades. Apenas uma minoria ficou insistindo nos ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado (e, correndo por fora, houve quem apoiasse o líder do MBL, Renan Santos).
Mas a chance de Flávio renunciar à candidatura é nula. Ontem, ele esteve em encontros com empresários e representantes do mercado financeiro. Em nenhuma dessas reuniões se mostrou indeciso quanto ao futuro. Sua candidatura permanece, ele garante.
Nestes encontros, disse o que todos os defensores da iniciativa privada querem ouvir.”Temos de reduzir a máquina pública e repensar a reforma tributária, que vai sufocar o setor de serviços a partir de janeiro”, disse. “O governo só sabe aumentar os impostos e espremer os empreendedores”.
Também falou sobre insegurança jurídica (“um grande câncer nacional”), defendeu mudanças na maioridade penal e prometeu endurecer no combate ao crime organizado. Também atacou o temor que as pessoas têm em se expressar livremente. “Há pessoas que têm medo de mandar um joinha no WhatsApp”. cutucou.
Sobre os diálogos com Daniel Vorcaro, foi suscinto. “Ninguém sabia ao certo quem era aquela pessoa, que na época era considerada acima de qualquer suspeita”, afirmou. Não foi questionado diretamente por nenhum dos participantes nos encontros de ontem.
Mas vamos dizer que o senador desista da corrida presidencial. Quem ficaria em seu lugar? Valdemar da Costa Neto já disse que o ex-presidente Bolsonaro é quem escala esse jogador. O que faria ele? Colocaria a ex-primeira-dama Michelle em campo? A chance de isso acontecer é próxima a zero.
A substituição de Flávio abriria uma disputa interna que o PL não parece preparado para administrar. Michelle Bolsonaro tem apelo entre parte do eleitorado conservador, mas sua entrada na corrida exigiria uma reorganização completa da estratégia do partido e do próprio bolsonarismo — além de afastar o eleitor independente. A direita que apostou todas as fichas em Flávio observa esse cenário com apreensão, pois qualquer mudança brusca pode fragmentar ainda mais um campo político que já enfrenta dificuldades para se unificar.
Enquanto isso, o avanço de figuras como Renan Santos e a movimentação de governadores como Romeu Zema mostram que há espaço para novas lideranças ocuparem o vácuo criado pela crise. Esses atores tentam se posicionar como opções viáveis para um eleitorado que busca firmeza, mas também distância de escândalos. A direita que se organizou em torno de Flávio terá de decidir se insiste em uma candidatura sob desgaste ou se abre caminho para uma alternativa que ainda não foi plenamente testada. O impacto dessa escolha influenciará diretamente a dinâmica eleitoral e pode redefinir o equilíbrio entre os principais blocos políticos ao longo da campanha.